ATRÀS DE UM MURO...

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Este poço não tem fundo


E é tal qual um labirinto


A que querem conduzir-nos!


Eu, nestas voltas do mundo,


Dizendo aquilo que sinto


Já nem os oiço mentir-nos…


 


Nesta escuridão global


A que o capital nos leva


Como gado ao matadouro,


Já nem a bem, nem a mal,


Há quem creia que tal treva


Seja o brilho de um tesouro…


 


Mesmo à beira do abismo


E ainda de olhos fechados?


Tem cuidado, abre-os depressa,


Que, a qualquer momento, um sismo


Vai fazer tombar telhados


Sem trazer-te outra promessa!


 


Ainda crês no sistema?


Tens assim tanto a perder


Que te impeça de pensar


Que, manter o velho esquema


De olhar sem nada fazer,


Nunca mais vai resultar?


 


Lutamos também por ti


Que ainda estás reticente,


Que te habituaste à “canga”


Que também eu já senti


Mas arranquei no repente


Do culminar de uma zanga!


 


Junta a tua voz à nossa


Por um mundo de equidade


Num planeta com futuro,


Não no lodo desta fossa


Onde escondem a VERDADE,


Disfarçada, atrás de um muro!


 


 


 


Maria João Brito de Sousa – 16.10.2011 -17.00h

Comentários

  1. Recordando velhos tempos e tendo recebido o Jabei que não foge à tradição, aqui estou para, como costume, te desejar "UM NOVO ANO FELIZ". Desejo com sinceridade, mas nada vejo ao longe ou perto, que esta utopia se transforme em realidade.

    Acima de tudo tua saúde e a esperança de tua presença, pelos lugares conhecidos, onde nunca te encontro.

    O melhor para ti
    Eu desejo sempre!

    Com amizade,

    Maria luísa

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    1. Obrigada, minha querida Maria Luísa!

      A minha vida pessoal, em termos financeiros e de saúde física, está , com efeito, a "ir de mal a pior"...

      Enviei-te um email, em vésperas de Natal, mas é bem possível que o não tenhas recebido uma vez que nunca cá chegou o aviso de recepção. De momento, atendendo às minhas crescentes dificuldades de visão e ao facto de ainda não ter os óculos adequados ao meu problema, deixei de conseguir ir ao FB... as solicitações, por lá, são múltiplas, simultâneas e constantes e eu sinto-me perfeitamente incapaz de acompanhar aquele ritmo vertiginoso. Voltarei apenas quando me sinta capaz de estar atenta a várias coisas em simultâneo, para já vou trabalhando, muito, muito devagarinho, na reedição dos poemas mais antigos que têm, na sua maioria, erros métricos que, hoje, me parecem imperdoáveis... mas até nesse trabalho lento, difícil, solitário e meticuloso, tenho falhado bastante...
      Se é verdade que a sinestesia nos fornece ferramentas muitíssimo úteis em termos de criatividade, não é menos verdade que nos torna muito mais vulneráveis em termos de processamento de informação, sobretudo quando nos encontramos altamente pressionados por outras imperiosas solicitações da vida real...

      Beijo grande e um melhor 2016 para ti e para os teus!

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