AI, SE A LUCIDEZ ME FALHA...
“Pobre de mim que sou só,
dentre os mais magra migalha,
se esta lucidez me falha
ao ponto de inspirar dó
quando a rudeza da mó
que espreme, humilha e retalha,
diz, de mim; “peste grisalha...”
e, reduzindo-me a pó
ou chamando-me “totó”,
me aponta e crava a navalha...”
Nunca o disse, mas pensei-o!
Mais; senti-o já na pele!
Venha um verso que protele
tão estranho e perverso meio
de mudar bonito em feio
antes que o destino o sele
estando, eu, colada a ele,
mesmo quando, em verso, anseio
tudo quanto não falseio
por mais que, a mim, me atropele...
Noite e dia mergulhada
neste mar de mil marés,
resisto em cada convés
de uma barca imaginada
em cujo bojo, selada,
rema a força de quem és
quando em mim, que morro aos pés
do que creio.... e porque nada
pode ter-me ajoelhada
aos presságios de outras fés!
Maria João Brito de Sousa – 04.05.2015 – 15.05h

Fés nunca serão incompatíveis.
ResponderEliminarPoeta, infelizmente não é isso o que a História nos tem demonstrado, mas entendo - ou penso entender... - o que quer dizer e sei que assim deveria ser.
EliminarAbraço grande!
PS - Estou com as teclas muito presas...então o "d" e o botão de espaços, estão uma desgraça...
É um poema espectacular,
EliminarConseguiste, Donzilia! Obrigada e um grande beijinho!
EliminarSó disse que é um poema espectacular para ver se entrava e entrou..
EliminarDe facto Maria João este poema é um poema muito sentido, tocou-me ao lê-lo como me tocam todos as que fazes, a tua poesia é do melhor que conheço, eu amo sempre amei poesia, embora não a faça, com muita pena minha. Adorava saber escrever poesia como adorava saber tocar piano, pintar a arte é uma das coisas que adorava saber fazer, assim fico-me por gostar e já é muito bom. Adorava saber-te a publicar a tua arte, o que sabes fazer como ninguém. Sonetos. Um beijo Maria João. <3
Um grande beijinho e muito obrigada, Donzilia!
EliminarNão foi fácil, mas conseguiste cá entrar Não há nada - ou quase nada... - que a persistência e alguma lucidez não resolvam! Valha-nos isso, quando tantas coisas nos vão faltando.
Este, amiga, é o blog que eu criei especialmente para os poemas compostos por versos de sete sílabas métricas (redondilha maior).
Exactamente porque as pessoas, de uma maneira geral, tendem a não dar muita atenção às técnicas utilizadas em poesia, resolvi separá-los em livros virtuais... e porque, desde o início, encarei os blogs como livros "em branco", sempre abertos, sempre prontos a renascerem em mais uma página...
Outro grande abraço e muito obrigada pelas tuas palavras!