MAR - Dissecação de um conceito

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Por teimosia, ou paixão,
galguei-te, ó mar que me sondas,
à revelia das ondas
e contra a própria razão...


 



Vi espólios de mil naufrágios
onde quer que mergulhei
e, onde eu própria naufraguei,
desprezando os maus presságios,
dei com paixões que eram estágios
do que nunca alcançarei
pois nunca, nunca sonhei
fazer delas meros plágios,
ou suscitou tais contágios
quanto ali presenciei...


 


Nas clareiras abissais,
tão profundas, tão escondidas,
onde se acolheram vidas
que agora não vivem mais
pois sob as ondas letais
estão, pr`a sempre, adormecidas
e há tanto tempo esquecidas
que não voltarão jamais,
vislumbrei restos mortais
de mil estradas percorridas


 


E, sem chorar – pois... pr`a quê? -,
guardei, no fundo do peito,
mais a noção que o conceito
do que, afinal, um mar é;
a todo o que se lhe dê,
tenha ou não tenha defeito,
conserva em funéreo leito
junto à jangada ou galé
em que ousou, com ou sem fé,
moldá-lo ao seu próprio jeito...


 


Por teimosia... - e paixão! -,
ó mar que ousaste sondar-me,
vou fugindo à tentação
de, pr`a cruzar-te, afundar-me...


 


 


Maria João Brito de Sousa – 26.04.2015 – 22.16h


Comentários

  1. Para mim,o mar é muito perigoso,aquilo que mais se vê pelo mar são notícias de pescadores que vão morrendo enquanto estão pescando!! Deus queira que o mar se torne muito mais tranquilo do que tem sido até agora!!

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    1. É de outro mar que aqui falo, Melguinha, e é outro, o mar que, segundo o título, disseco... mas também é certo que fui buscar um mar que todos conhecemos para enfrentar e dissecar esse outro...

      Um abraço para ti, Melguinha! Obrigada pela tua visita.

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