POEMA A UMA RESISTÊNCIA PESSOAL


 


… e, às vezes,


tantas vezes de aço vivo,


esta dureza vítrea em que me embrulho,


este trajar de fraga


de alto a baixo,


este mergulho em mim


negando laços


e este dizer que não quase a rugir


*


 


Um dia


- um qualquer, eu sei lá quando… -,


o bicho em mim acordará estremunhado,


esquecido da espada e da armadura,


e refar-se-á nos sorrisos e abraços


que hoje não toleraria


*


 


Porque


só assim uma vida se cumpre,


o sol brilhará quando for tempo disso


e o corpo aprenderá a tolerar tanta invernia


*


 


Até lá, porém,


a luta continua


e,


de alguma estranha forma,  


os órgãos,


um a um,


persistem


nesta estranha/inaudível surdina


à qual


 nem um pretenso mago cairia


na absurda tentativa/tentação de adivinhar


o tamanho,


a  textura


a dimensão


da densa/dura crosta/cicatriz


que as grandes,


grandes feridas pressupõem


 


*


 


 


Maria João Brito de Sousa – 27.12.2013 – 18.15h

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