ARBITRARIEDADE


 


ARBITRARIEDADE


*


Era uma mulher traçada a fio de prumo,


vinda dos tempos primevos do homem-vertical


* 


Dia a dia,


percorria o rumo


que fazia do dia vindouro


um dia insuportavelmente sempre igual


*


Era de noite que brincava aos fantasmas,


diluída nos incontáveis ectoplasmas


das almas que foram e das que estão por vir


 por isso,


acordava anoitecida


sem nunca estar segura


de ter acordado do lado de cá da vida


*


 


Ora sonhava sonhos,


acordada,


ora cantava, estando adormecida;


 o que doía


era viver multiplicada


onde todos a pediam dividida.


*


 


 


Maria João Brito de Sousa - 1993


 


 


 

Comentários

  1. Mas valeu
    e essas cores de tons e arco íris

    ofuscam seja que olhar...


    Bela noite feliz

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