A CHUVA E O GATO NEGRO - 1958
É meia noite
Que ninguém se afoite a ir à janela!
*
A chuva cai, cai
E ai dela...
*
A chuva cai, cai
E vai perder-se no telhado
Onde morava o gato negro e esfomeado...
*
A chuva cai
Em pingos amargos e de dor
E tudo molha, e tudo estraga ao seu redor...
*
A chuva cai
E o velho gato negro esfomeado
Cai morto no telhado
*
Mas eis que o dia chega
E tu, ó noite, vais
E o velho gato negro vai pr`ó céu dos animais
*
Agora a chuva já não cai...
E o velho gato negro?
*
Já não se ouve o seu miar
Porque o velho e negro gato
Já tem onde morar.
*
Maria João Brito de Sousa - 1959 (sete anos)

Já muito avançado para a idade, gostei,
ResponderEliminarJá não se ouve o seu miar
Porque o velho e negro gato
Já tem onde morar.
... por essa altura, Poeta, muito passavam os adultos comigo! Não fazia grandes pedidos, não tinha birras, não dava muito trabalho... o pior era convencerem-me a não levar tudo quanto era cão ou gato lá para casa... se fosse preciso recorrer à poesia para o conseguir, fazia-o...
EliminarSentido e presente esse teu versar
ResponderEliminarjá com 7 anos no olhar...
Um belo e radioso Domingo
Obrigada, Anjo!
EliminarUm radioso Domingo também para ti!