1º PRÉMIO, NA CATEGORIA "POESIA OBRIGADA A MOTE", DOS XXI JOGOS FLORAIS DO OUTONO - MONFORTE, 2013
MOTE
“És vida, poema e cor,
Que sais da terra fresquinha,
Espelho, pureza, esplendor,
Fonte da vila, rainha.”
Rosa Pires
À velha fonte de Monforte
Dentre as fontes que não vi
Nas terras com que sonhei
Mas nunca visitarei,
Conta-se uma que, daqui,
Destes versos me sorri
E que evoco aberta em flor,
À qual teço o meu louvor
Numas rimas que ensaiei
E com as quais lhe direi;
“És vida, poema e cor”!
Imagino-te o perfil
Na branca pedra talhado,
Em contraluz recortado
Num céu de límpido anil,
Sobressaindo, gentil,
Como se tu fosses minha
E viesses, muito azinha,
Of`recer-te toda inteira,
Ó água tão verdadeira
“Que sais da terra fresquinha”!
Por tudo aquilo que vejo
Neste sonhar-te acordada,
Direi que és fonte encantada
Que, aproveitando este ensejo,
Tento louvar, mas fraquejo
Por falta do estranho ardor
De quem tem real valor,
E tu, acima de tudo,
És, do brilho em que eu me iludo,
“Espelho, pureza, esplendor”…
Portanto, fonte bendita
Que os olhos me deslumbraste
Com tão perfeito contraste,
Tal visão só me suscita
Jovem que, sendo bonita,
Por mim passasse, sozinha,
Derramando a pucarinha,
E menos não sei chamar-te
Do que sublime obra de arte,
“Fonte da vila, rainha”!
Joana Pardal (pseudónimo)
Maria João Brito de Sousa - 2013

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