POEMETO CONTRA-RELÓGIO


 


 


POEMETO A “CONTRA-RELÓGIO”


 


 


 


 


A noite chega tão tarde


Que nem o verso aproveita


Toda a chama que nele arde


Quando tão tarde se deita


E a simples compensação


De dormir “mais um pedaço”,


Só basta aos que não farão


Nem metade do eu faço!


 


Tudo o que faço me custa


Muito mais que a qualquer um


Por comparação, “mui” justa,


Com quem não “fizer nenhum”…


 


Tenho a tensão “abalada”,


Tenho anticorpos no sangue,


Estou anti coagulada…


Dou dois passos… fico exangue!!!


 


Mas, mesmo exangue, não paro


Pois meus queridos animais


Estão, também, num tal “preparo”


Que exigem cada vez mais…


 


Agora, cheia de sono,


Terei de ir buscar areias


Pr`aqueles que não abandono


Pelas ruas sempre cheias


Dos casos de negligência


Ou mesmo incapacidade


De quem, face à indigência,


Os “descarta” na cidade…


 


Ando tão devagarinho


Apesar de muito querer


Apressar o meu caminho


Pr`a depressa os socorrer


Que, às vezes, me sinto farta


Dos vagares do próprio passo


Mas se o corpo me descarta


Toda esta pressa em cansaço


Nem vale a pena ter pressa


Porque a “mazela” é mais forte;


Não há nada que a impeça


De me impor; Vagar ou… Morte!


 


 


Maria João Brito de Sousa – (a contra-relógio) 21.04.2013- 17.27h




Imagem - Eu, o Kico e o Garfield - Fotografia de Carlos Ricardo

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