BRADO


Cresce puríssimo,
forte, ininterrupto,
claríssimo nas mãos imaculadas pelo uso
(porque apenas o uso lhes confere
a transparência das grandes, invencíveis compulsões)


*



Sábio, porque justo,
floresce, rompendo o húmus das palavras
ao dar-lhes o sentido de todos os sentidos
na lucidez dos que vivem paixões indomáveis


*


De todos nós,
porque se sobrepõe a cada uma das nossas vontades,
se multiplica nas veias da terra
e se mistura à lava dos vulcões que vamos sendo,


não será detido
nos becos do receio,
nem ave nenhuma voará mais alto
do que esse eco
que
o vento,
zunindo,
transporta consigo
desde o mais profundo da nossa justíssima revolta


*


Límpidas, crescem as sílabas
que se desnudarão na invencibilidade do nosso brado!


*


 


Maria João Brito de Sousa - 27.09.2012 - 01.53


Comentários

  1. Ààààà Poeta...

    um xoxo dos calhaus frios e molhados...

    e eles não são honestos...penso que nem com a mãe
    que os criou...

    feliz tarde

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    Respostas
    1. Olá, Anjo!

      Construí este poema mais a dormir do que acordada, directamente no meu mural do Face... sabes como é... quando já sentimos a cabeça a pender sobre o teclado e mal a conseguimos segurar... é estranho, mas foi assim mesmo. Sentia, a cada tecla batida, que me estavam a faltar os termos exactos para aquilo que sentia que devia dizer... mas foi uma vitoriazinha da minha teimosia, eheheh... não lhe mexo, nem o "burilo", só pelo que ele simboliza de força de vontade... coisitas íntimas de cada um, daquelas que não interessam a ninguém, mas que acabam por fazer parte do nosso patrimoniozinho pessoal, quando não temos quase nada... enfim, "combustível" para viver o dia de hoje, eheheh...

      Feliz tarde para ti, também!

      PS - A ligação continua doidinha de todo... mesmo falta de rede, não é do computador...

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