AO MAIO QUE HOJE ME OCUPA


Maio, hoje, ocupou as ruas do meu corpo,
vestiu-se de vermelho e fez-se voz!


*
Há uma praça em luta,
um direito básico
que quase se perdeu,
uma conquista a cimentar,
uma memória que rasga um nervo… e salta!,
um velho-novo mundo,
escrito a sangue sobre asfalto
que se não quer esquecido,
que reivindica, cresce e ressurge
da ponta dos meus dedos inquietos, febris


*
Lá fora,
nas ruas onde o frio ainda gela,
onde as pedras se fazem sentir
duramente sob os pés,
onde o vento zune, espalha e semeia
as palavras de ordem que os ouvidos captam
e os gestos se traçam
nas três dimensões do costume,
sois vós, camaradas, quem se bate por ele.


*
Ainda a luta de classes,
neste Maio que não quer
nem  pode desmentir-se!


*


Nenhum medo
nenhuma hesitação
para além do vermelho que me veste
de uma urgência que só assim posso manifestar


*
Se o meu corpo não pode ir às ruas,
que venham as ruas ao meu corpo,
neste vermelho Maio em risco,
neste Maio que tentam roubar-nos,
neste Maio a querer fugir-nos
depois de conquistado a ferro e fogo
sobre as vidas de muitos,
com a vontade síncrona de tantos milhares
contra - sempre e para sempre contra! -
a humilhação da desigualdade,
o opróbrio da exploração,
a persistente e movediça hipocrisia de uns quantos.


*



Maio, vermelho Maio,
revisitando um sonho que resiste
nas ruas que invento no meu corpo desistente.


*


 





Maria João Brito de Sousa - 01.05.2012 - 14.50h


 


 


 


 






Comentários


  1. Liberdade acima de tudo
    Não fique o mundo
    Mudo...

    um bom e feliz dia

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    Respostas
    1. Liberdade, justiça, igualdade de direitos e oportunidades, Anjo da Esquina!
      Enorme abraço!

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    2. aquela malta das contas
      sem afrontas

      aterreram em Marte
      e pra cá chegarem

      ainda me dá um enfarte...


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    3. Com certeza haverá contas
      Nesse planeta vermelho...
      E talvez menos afrontas
      Do que neste, onde aconselho

      A melhor distribuição
      Da riqueza acumulada...
      Mas não estranhem a aflição
      De não terem ar, nem nada...

      Que isto de ser-se planeta
      Onde a vida irrompe assim,
      D`uma forma tão radiosa,

      Nunca foi para o cometa
      Já velho que mora em mim...
      Vida é só... maravilhosa!!! ;D

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