A UM NÁUFRAGO IN-PERFEITO


 


Não sei se tarde, se cedo,
Cruzando as rotas do medo
Sem um único arrepio,
De mãos nuas, desarmadas,
Ao som do meu assobio,
Sobre estas pernas cansadas
De infindas milhas galgadas
Por tantos anos a fio,
Estando calor, estando frio
Desbravo as matas cerradas,
Subo montes, galgo estradas,
Perco o Norte ao arvoredo,
Passo por tanto degredo
Que em horas mais desgraçadas,
Se a saudade vem mais cedo
Encher-me do seu vazio,
Guardo bem fundo o segredo
Do que o meu corpo sentiu…

Cruzando as rotas do medo,
Não sei se tarde, se cedo,
Ouvindo o próprio assobio
Dias e noites a fio,
Esteja calor, esteja frio,
Ressoa no arvoredo
Esse indizível segredo
Que a solidão desmentiu…

Se a saudade vem mais cedo
Encher-me do seu vazio,
Esquecido do assobio,
Perdido no arvoredo,
Horas e horas a fio,
Faça calor, faça frio,
Todo silêncios me quedo…


 





 


Maria João Brito de Sousa – 07.04.2012 – 22.15h


 




Comentários


  1. belos versos
    num tanto de nostalgia

    mas na mais bela harmonia....poeta

    belo fim de semana

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    Respostas
    1. Eu reconheço-o - a ele, poeta António de Sousa - nestes versos que lhe fiz. Não sei explicar exactamente porquê, mas é como se tivesse pintado ou desenhado uma representação dele...
      Abraço, Anjo da Esquina!

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    2. momentos bonitos ... tal um tesouro no tempo

      bela noite

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    3. Olá, Anjo da Esquina!
      Foram momentos muito bonitos, foram... tive uma infância muito privilegiada :)
      Abraço grande!

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    4. eu dei uma volta por essas preciosidades
      que despoletam recordações
      perdidas...

      bela noite...e Há que preservar..

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    5. Esta casa, a bicharada e a minha saúde "empenada" não são os maiores garantes da boa preservação de coisa nenhuma, Anjo da Esquina... mas eu vou fazendo o possível por preservar...
      Abraço grande! :)

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    6. Ah, isso sim, enquanto puder.
      Hoje deveria ter ido ao centro de saúde, mas o senhor que combinou dar-me boleia deve-se ter esquecido completamente e eu estou sem saldo no telélé... fica para amanhã. Ainda fui a casa de uma amiga para tentar ligar do tm dela, mas também não estava... dia cinzento, o de hoje :)
      Abraço!

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    7. é por essas e mais outras cousas
      que com sinceridade
      nunca gostei da grande cidade...

      confunde-me...

      bem digo às minhas queridas bloguistas
      que não há como
      o Interior pequenino mas cheio de amor...


      xoxo da Covilhã

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    8. Este pedacinho da grande cidade em que eu moro, também tem o seu quê de acolhedor...

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    9. eu conheço...
      e sei que do mais acolhedor

      mas calhaus de todas as cores
      dependendo do ano seja que mais insano

      flores
      até bebedores de que o que seja seja às cores
      também...

      e sem querer magoar
      todos deveriam aqui vir morar...estagiar...

      pois só este oxigenado ar
      vale as voltas do tempo que vamos....amargar

      xoxo molhado nas bochechas

      aqui tudo está a um pé de passeio

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    10. No "estado a que cheguei", Anjo, convém muito mais que esteja a um passo do hospital :))
      Abraço!

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