NÃO ME FALES DOS VERSOS QUE TRAZES


Não me fales dos versos que trazes


tresnoitados na ponta dos dedos,


nem dos dias que não são capazes


de ocultar-te, guardando segredos…


 


Não me fales se trazes mais medos!


 


Não me fales da força perdida


nem da dor que estrangula as gargantas,


nem da causa jamais conseguida


pelos tais amanhãs que não cantas…


 


Não me fales se ainda não cantas!


 


Não me fales no dia seguinte


que não nasce, nem deixa nascer,


nem procures o estranho requinte


dos discursos que sabes fazer…


 


Não me fales! Não quero saber!


 


Não me fales - mas podes gritar! –


do que o tempo cinzento anuncia,


nem das mãos que não vais levantar


se essas mãos te não servem de guia!


 


Não me fales, que eu não te ouviria!


 


Não me fales mas nunca te esqueças


desses tantos que ainda acreditam


e que tentam, por mais que os impeçam,


murmurar-te as palavras que gritam…


 


Não me fales daqueles que te imitam!


 


 


Maria João Brito de Sousa – 10.06.2011 – 22.19h


 

Comentários

  1. Mas eu vou falar, e vou dizer que adorei!
    E se for preciso, gritarei ;)

    Oh, obrigada por votares :')
    Eu só ando cansada... esta época de exames e frequências mata-me :/

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    1. :) Nem queiras saber, Paper... hoje sou eu que estou mais morta do que viva... "caiu-me" em cima das maleitas crónicas uma malvada duma infecção respiratória que eu nem te conto! Agora vou tentar almoçar e, depois, visito-te.
      Abraço grande!

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    2. Então, como estás? :/
      Devias ter ficado em casa :S
      Tens de ter cuidado, para isso não agravar...

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    3. E fiquei, Paper... mas não foi por ter decidido ficar, foi porque a malfadada gripe não me deixou andar senão a 10 à hora, o Kico também está pior e eu não consegui acabar de tomar duche senão à hora do almoço... isto é uma tristeza! Mal me mexo! :) Mas agora estou por cá e só saio quando isto encerrar... ou se, por falta de equipamento e muito utilizadores, me puserem na rua... :) Até trago um sonetozinho muito apagadito... mas é soneto e o Poetaporkedeusker está parado há alguns dias... vou tentar publicá-lo!
      Bjo!

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    4. Oh, anda tudo mal :/
      Mas hoje já te sentes melhor? :)
      Quando publicares diz que eu passo por lá ^^
      As melhoras para ti, e para o Kico ^^

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    5. :) Não te preocupes! Isto há-de melhorar! :)
      Agora estou na caixa de correio... daqui por meia hora publico! :)

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  2. “Palavras”

    O importante é a rosa
    O demais são espinhos
    Versos estes mansinhos
    Deve importar a prosa

    Podem mostrar bravura
    Se desponta a ocasião
    São motivo de rebelião
    Logo regressa a ternura

    São farpas pontiagudas
    São falsas, não te iludas
    São abraços de carinho

    Quase sempre desnudas
    Num dia quedam-se mudas
    No outro apontam caminho.

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    1. ... e, agora, fiquei eu sem palavras! Vou ler o próximo...

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    2. “Poesia na tasca”

      Portugal tem talento
      E hoje venceu a poesia
      Há muito que não se via
      Um tão belo momento

      Afinal não somos rasca
      Afinal ainda há esperança
      Encheu-me de confiança
      Eu que escutava na tasca

      Venha mais uma rodada
      A transbordar de energia
      A malta sai embriagada

      Por degustar esta poesia
      E afinal não custa nada
      Acabar com a anestesia.

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    3. Acabar com a anestesia
      É tudo o que mais almejo,
      Mas estou com uma "avaria",
      Vai-me faltando o traquejo...

      Tomei Paracetamol,
      Pus os pingos no nariz
      E rezei para que o sol
      Me pusesse mais feliz...

      Embora sendo velhota
      Sinto-me "à rasca" também
      - por isso é que eu luto assim -

      E, não sendo uma garota,
      Tento, mais do que ninguém,
      Trabalhar até ao fim! :))

      Obrigada, Poeta!

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  3. “Quinto dos infernos”

    Une a saúde à segurança social
    Une a defesa ao contra-ataque
    Desarranjo intestinal ao traque
    Trabalho deves unir ao carnaval

    Não necessita ser unida a cultura
    Economia e finanças fazem união
    O ambiente deves unir à poluição
    Os nabos unes com a agricultura

    Feita a contabilidade até à exaustão
    Seis ministros são quanto bastará
    E na verdade o povo nem notará

    Resultado da brilhante governação
    Ocupado nestes tempos modernos
    Andará, lá pró quinto dos infernos.

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    1. ... andará lá pr`ó quinto dos infernos
      Esta vida que temos pela frente...
      Mas afinal não somos mesmo eternos
      E, apesar de poetas, somos gente!

      Que mais hão-de eles poder privatizar?
      Se os próprios versos forem sonegados
      Como será que o estro irá cantar?
      E os astros fazem greve, revoltados!

      Contabilizada seja, em cada estrofe,
      Esta nossa ironia que não cessa
      A menos que nos levem deste mundo!

      O mundo terá sempre quem lhe prove;
      Poeta cumpre sempre uma promessa
      A não ser que outro alguém o deite ao fundo... :)


      Abraço!

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  4. “Escrito no céu”

    Fukushima meu amor
    Apelo ao teu coração
    Liga lá a refrigeração
    Arrefece esse reactor

    Usa esse poder nuclear
    Como um dom especial
    Pr’o bem e não pr’o mal
    Não nos queiras dilacerar

    Japão meu coração chora
    No céu apareceu escrito
    A homenagem nesta hora

    A estes irmãos devastados
    Soltem um profundo grito
    Ficámos todos prostrados.

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    1. Ficámos todos prostrados
      Quando os reactores cederam
      E os irmãos, contaminados;
      Quantos deles nem perceberam,

      Quantos deles mal informados...
      Porém, de quantos morreram,
      Dirá a história; - "Coitados!"
      Sem falar do que sofreram...

      Evitemos acidentes
      E a morte cruas e sangrenta
      Das guerras que são escusadas!

      Sejamos bem mais prudentes!
      Quando o nuclear nos tenta
      Fazemos coisas erradas...


      Maria João
      Aqui vai e obrigada, Poeta! :)


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  5. “O império contra-ataca”

    Prenderam a Jesus Cristo
    Lá para os lados de Atenas
    Ou um descendente apenas?
    Nunca tinha visto estas cenas

    Os soldados do imperador
    Tinham uns cascos do baril
    Usavam filtros no trombil
    Distribuíam a mais de mil

    Usava um casaco vermelho
    Que envolvia cada joelho
    Arrearam-lhe com jeitinho

    Para quando se vir ao espelho
    Ter intacto o seu corpinho
    E ajudaram-no no caminho.

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  6. “Os palhaços”

    Resolver a crise financeira
    Crescimento a seguir vem
    E o estado social também
    Acabar com a bandalheira

    Preparar a nossa juventude
    Estancar os esbanjamentos
    Anular os constrangimentos
    Que a justiça também mude

    Tornar toda a malta saudável
    Correr com todos os bandidos
    Parece uma lista louvável

    O pior é que estamos falidos
    Quem será o responsável
    Por mater-nos divertidos?

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    1. Meu caro Poeta Zarolho, eu hoje não estou mesmo em condições de escrever nada de jeito. Cheguei do hospital e as coisas pioraram... não precisava de ter ido ao hospital para o saber, mas tive mesmo de ir porque já tinha consulta marcada. Estou a fazer um enorme sacrifício para estar aqui a responder-vos e poemas... em pensar! Estou mal e cheia de dores, não dá... mas espero que volte a dar!
      Um abraço e desculpe-me.

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    2. Melhoras sinceras, qué isso de desculpas?
      "Exijo" se posso fazer algo para ajudar.

      Saudações alentejanas.

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    3. Errata
      Onde se lê "Exijo", deve ler-se "Exijo" saber.

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    4. :) Poeta amigo, eu tenho de pedir desculpas sempre que me sinto diminuída... sai-me naturalmente porque considero um privilégio ter amigos que me lêem, que se dão ao trabalho de deixar poemas nas minhas caixinhas de comentários e a quem eu, porque me sinto mais morta do que viva, não consigo responder condignamente... e hoje continuo... vá lá que as frases já me vão saindo com algum sentido. Nem sei como, porque continuo cheia de dores e, enquanto não se resolver esta agudização do problema intestinal, não posso comer nada de nada... só muita água, muito chá e uns golinhos de leite. Vim até cá porque sou mais teimosa do que uma parede de granito :)) Mas, para ser muito sincera, também não consigo ter muito descanso em casa porque o Kico consegue estar ainda pior do que eu e o Beethoven - o gato preto - também não está nada bem da barriga e lá tenho eu de andar de gatas a limpar o chão... mas pronto! Chega de desgraças! Bem bastam as dores que não há forma de se cansarem de me atazanar... vou responder aos mails e eventuais comments do Poetaporkedeusker e, depois, tento responder aos seus poemas, nem que seja com uma quadrazinha de pé quebrado. Sinto-me tão estúpida que nem imagina! Tinha sempre umas rimas na ponta dos dedos e, agora, pareço uma palerma que nem serve para nada... mas tenho esperança de que isto melhore. Pelo menos a tensão arterial, hoje, já estabilizou... o resto é que está desastroso!
      Muito obrigada pela disponibilidade. Agora penso que ninguém me poderia ajudar muito, embora não fosse nada mau se a segurança social me enviasse depressa o vale dos correios :) Já está, outra vez, atrasado e quem recebe a miséria que eu recebo, fica logo aflito quando há um atraso. Eu volto cá, Poeta, para tentar responder-lhe!
      Abraço grande!

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    5. Este terá de ficar para amanhã... estou tão lenta que até a mim me faz confusão... :)
      Abraço!

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    6. “O chicote”

      Eu sou da segurança social
      Não venho ouvir ninguém
      Trato a todos com desdém
      Só quero ver o que está mal

      Vejam se entram na linha
      Que volto no mês que vem
      Sigam a lista pr’a vosso bem
      Ou mau tempo se avizinha

      Verão que não estou a brincar
      Não esqueçam que o relatório
      Minha verdade deve espelhar

      Voltarei com outro arsenal
      E não admito mais falatório
      Hão-de conhecer meu cabedal.

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    7. Amigo Poeta... conseguiu fazer-me rir! Baixinho, porque estou sem força, mas ri-me! Credo! Essa assistente social parece uma verdadeira Nazi!
      Que pena que eu tenho de não conseguir, agora, responder à desgarrada! E olhe que me lembrei de que tenho uns relatórios para ir entregar e não estou, nem pouco mais ou menos, em condições disso... ai, que complicação que isto vai ser!
      Abraço grande!

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  7. “Diabo à solta”

    É grande a consonância
    São tempos que já lá vão
    Todos juntos eles lutarão
    Longe vai a dissonância

    Para alguns a abundância
    A outros ainda falta o pão
    Não te rales eu também não
    Para outros é só militância

    Se tens fome não o dirão
    Importante é a fragrância
    Que esconde a podridão

    Não mostres a arrogância
    Se é preciso lambe o chão
    Adapta-te à circunstância.

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  8. “Camões à espreita”

    Caro amigo Passos Coelho
    Já falei aqui com o Camões
    Ambos temos boas impressões
    Das tuas primeiras actuações

    Agora só é preciso continuar
    Nessa senda de sucesso sem par
    Para este Portugal desencravar
    Nada se faça em cima do joelho

    Já fomos inclusive saudados
    Por todos os outros estados
    Que estão a ficar reconfortados

    É necessário fazer diferente
    Não desiludir este mar de gente
    E o Camões principalmente.

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    1. :)) Isso, portem-se bem senão o nosso Camões ainda vos dá com o Os Lusíadas na cabeça!
      Que pena eu não ter tempo nem "cabeça" :)) para responder em desgarrada...
      Beijinho!

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