QUE PENA! - Um poema anti-poético e egoísta, para quando fizer falta rosnar
QUE PENA!
*
Que pena!
Tenho tanta pena de ter pena
dos olhos de luar que não tiveste,
da refeição frugal que não fizemos
no tal dia em que nos não encontrámos
*
Dessas mãos de sal que te não vi,
sublimando a saudade em gestação,
subiria – talvez…- o aceno prometido
ou nem sequer esboçado,
à força de tardio
*
Nos teus lábios que nunca experimentei
- porque não eram lábios
os riscos trémulos e desbotados
que jamais desenhámos
sobre a suspeição do beijo…-
um sorriso clonado
de todos os esgares que lhe foram anteriores
*
Que pena das horas que não passámos juntos
nessas manhãs,
essas
que nos encerram
na urgência banal e rotineira
- tão desmesuradamente banal e rotineira! -
do desejo insuspeito
que adivinho
no refrão de cada cantilena
e das tardes,
- quem sabe? -
atarefadas, urbanas, burguesas,
passeando entre o plano do fogão de quatro bicos
e a perpendicular do mar
- desse mar que só pode ser olhado por um de cada vez -
aborrecendo o momento seguinte,
barulhentas, conflituosas e – porque não? -
tão exactamente iguais às tardes que são as dos outros
*
Mas pena,
pena a sério,
pena crua e inenarrável,
daquela que magoa,
rasga por dentro e deixa cicatriz,
Pena teria eu tido de não ter podido ser quem sou!
*
Maria João Brito de Sousa – 28.05.2011 -14.47h
Que pena teria eu se não lesse este poema anti-poético que adorei :D
ResponderEliminar:) Obrigada, PaperLife! Foi bom começar assim, com esse "adorei", este meu dia que não está grande coisa do ponto de vista da saúde... estou particularmente "empenada" :) e a barriga não está nos seus melhores dias... :)) Mas estou cá e trago o meu poema do dia, feito antes de sair de casa, que vou publicar no Poeta, apesar de não ser um soneto. É só por ser um poema escrito muito, muito do fundo da alma, enquanto me lembrava do dia da criança...
EliminarBeijinho e atá já!
Penas e mais penas!..
ResponderEliminarPena teria eu de não te ter encontrado na minha vida!
Adorei!
beijos no teu coração.
Chicailheu
:) Obrigada, Chica!
EliminarEstive a ler um poema da Cecília, num dos teus blogs, e deixei-te lá o meu abraço. Deixo outro aqui!
“Vê coração”
ResponderEliminarVer muito além de ver
Nos caminhos desta vida
Não nos leva de vencida
Se nós prezarmos o ser
Tornam-se curtas as vistas
Quando só vês o imediato
Ter intoxica o ser pacato
Assim enriquecem farsistas
Se queres ver com nitidez
Esvazia de tudo essa mente
Fecha os olhos duma vez
E respira profundamente
Verás as coisas com nitidez
Tal como o coração as sente.
Amigo Poeta, não vou repetir o meu sonetilho aqui! Ficou uma asneirola esboçada na última palavra do último verso... mas agradeço-lhe muito o seu!
EliminarSe leu este meu poema e o compreendeu, saberá que tenho a minha opinião formada nesse campo... e noutros, também.
Abraço grande!
Olá Jo, como vai minha amiga?
ResponderEliminarPeço-lhe desculpa pelo desleixo em responder, mas depois falamos e explico-me. As coisas não andam fáceis e a vontade foi-se. Vou vizitando os amigos que fiz por aqui, mas com vergonha saio sem dizer nada. Espero que me perdoem.
Este poema tocou-me profundamente porque, olhando para trás, pense que eu poderia ter sido uma pessoa diferente, acho que pena teríamos nós se a João não fosse o que é.
Beijinhos
Fá! Sinto-a tão triste... este é mesmo um poema "egoísta". Só os poemas se podem dar a este luxo e, mesmo assim, só de quando em quando... mas, no fundo, amiga, aquilo que eu sou também é uma escolha minha, embora não deixe de ser condicionada por mil e uma variáveis externas às quais a sorte não é, de todo, alheia... mas eu vou aí!
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