HÁ FOME NO MEU PAÍS!


Há fome no meu país


E alguém me veio dizer


Que Abril já fora esquecido


E arrancado à raiz


De um ideal por colher,


Que o país estava perdido…


 


Longínquo, evoco o perfil


De um dia de liberdade


Com carabinas nas ruas;


Recordo os cravos de Abril


Florindo numa cidade


Que acenava de mãos nuas


 


E, do mais fundo de mim,


Renasce um cravo qualquer


Dessa memória evocada…


Portugal não morre assim


Enquanto entre nós houver


Gente sã, gente acordada!


Há fome no meu país,


E alguém me veio lembrar


Que os cravos de Abril murcharam…


Com ou sem fome, o que eu fiz


Foi “dar a cara” e mostrar


Que houve alguns que perduraram!


 


 


 


Maria João Brito de Sousa


 

Comentários

  1. Mais um POEMA muito verdadeiro!
    Doa a quem doer...aos poetas ninguém pode calar!
    beijos e amizade

    da amiga
    Chicailheu

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    1. Obrigada, minha amiga! :)
      Acreditas que trazia uma ou duas coisitas para publicar e ainda não consegui? E só tenho andado de roda do correio... acho que estou lenta de mais!

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  2. “Trinta e sete anos”

    Trinta e sete anos Abril madrugada
    Tudo bem espremido não resta nada
    Nem cravo esquecido na espingarda
    Assistimos ao passar duma cambada

    Amanhã aperaltado eu falarei ao povo
    E com palavras gastas eu me promovo
    Que escolhi para não causar estorvo
    A quem agora financia o estado novo

    É que precisamos dos milhões da troika
    Para alimentar os filhos da nação valente
    E prosseguir nossa caminhada heróica

    Rumo a mais dez anos de estagnação
    Na avenida gritaremos energicamente
    Troika ao poder para salvar esta nação.

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    1. Desculpa, amigo poeta,
      Mas não posso acreditar
      Que a Troika não comprometa
      O povo que eu sei amar!

      E, tanto quanto acredito,
      Se nos não pomos a pau,
      Dá o dito por não dito,
      Não nos sobra nem a nau...

      Eu amo esta minha terra
      E amo o povo que faz dela
      Um país, uma nação...

      Serei como o cão que ferra
      E, pr`a dar a ferradela,
      Vejo a Troika e digo; -Não!


      :) Abraço e obrigada!

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    2. “Comam bolos”

      Com oito letrinhas apenas
      Escrevo a palavra Portugal
      São oito séculos de historial
      O pior são as últimas cenas

      Da CEE vieram uns milhões
      Chegou a crise internacional
      Onde está o dinheiro afinal?
      Aplicado na terra de Camões

      Em betão e em belas estradas
      Algumas já estão esburacadas
      Pescar e semear é pr’os tolos

      Não há peixe, comam empadas
      Com o chá em vez de torradas
      Se não há trigo, comam bolos.

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    3. Nem pr`a bolos, meu amigo,
      Nos sobrou o necessário...
      O nosso parco salário
      Vai pr`as mãos do "inimigo"...

      Nem sinais do mundo antigo
      Em que, havendo algum erário,
      O português proletário
      Prosperava em seu abrigo...

      Agora só resta a esperança
      De voltar a conquistar
      A soberania perdida,

      Ou, então, voltar pr`a França,
      Pr`a nas Bidon Ville morar
      E reconstruir a vida... :)... :/.... :(


      Abraço grande!

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    4. Obrigado crise profunda
      Que minha alma afogou
      Assim desta forma eu vou
      Rejeitar-te de tão imunda

      Levaste todos os valores
      Estarão em parte incerta
      Deixa a porta entreaberta
      Quererão enviar-te flores

      Flores cheias de espinhos
      Que não morremos d’amores
      Vão-te comer os bichinhos

      Morrem intoxicados tadinhos
      Minh’alma esquece as dores
      Afoga-te com uns tintinhos.

      Saudações alentejanas!

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    5. :))!

      Apesar dessa vantagem,
      Não lhe quero agradecer!
      Aposto mais na viragem
      E seja o que Deus quiser...

      Aos valores que ela levou,
      Tentarei ressuscitar
      E aos bens que nos roubou,
      Farei por recuperar...

      Pode ser idealismo,
      Teimosia ou, talvez, sonho
      Mas não quero desistir

      E farei do optimismo
      Meu ex-libris mais risonho
      A bem do que está por vir...


      Saudações alentejanas e poéticas! Abraço oeirense! :)

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    6. “Econocracia”

      Deputados pediram auxílio
      Para a dolorosa reintegração
      Outros pediram a subvenção
      Enquanto o povo pede pão

      São assim as nossas elites
      Onde podem jogam a mão
      Enquanto espremem o povão
      Vozes de burro não se ouvirão

      Tu que nasceste para ser asno
      Por favor não fiques pasmo
      Isto faz parte da democracia

      Agora capítulo da economia
      Se deste lucro na governação
      És untado como compensação.

      Do meu mais ácido,
      http://profetablognot.blogspot.com/

      Saudações alentejanas!

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    7. Vou já ao seu blog, amigo! Obrigada por me deixar o link!

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