SEM MEIAS-TINTAS


 


Eram simpáticos,


medianamente simpáticos


nos seus cumprimentos


e nos seus sorrisos


mais ou menos artificiais,


mais ou menos impostos,


mais ou menos convenientes


 


Ele,


a partir desse dia,


aborrecera


flores, lacinhos, veludos e doirados…


aborrecera os meio-doces


rebuçados de hortelã-pimenta,


as meias-criações,


as meias-paixões,


as meias-convicções


e todas as meias-tintas


que perturbassem


o canto genuíno do melro,


o uivo do lobo absoluto,


o rosnido do lince interior


 


Sequóias!


Ainda se lhe dessem sequóias


de raiz presa à terra


como as vozes dos deuses menores…


 


Ainda se lhe dessem


esses arranha-céus de fibra e floema


que aspiram aos longes dos astros


mais ou menos longínquos 


e lhe renovassem a promessa


de ascender com eles…


 


Mas tudo o que se lhe cumpria


eram aqueles meios sorrisos,


aqueles rictos e rituais


mais ou menos postiços


que afirmavam


agradar ao Deus sem tamanho


a quem atribuíam


todas,


todas as autoridades,


 excepto a de aborrecer


as meias-genuinidades


 


 


                                                             Maria João Brito de Sousa – 07.04.2010 – 19.00h

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