BREVES PEIXES DE ESCAMA CADUCA
Nós, os de olhos reclusos
Num infinito demarcado por metas,
Breves peixes de escama caduca
Na sopa vítrea de um sonho qualquer,
Mordendo ilusões de um pomo menor,
Pontuamos, tão só, pela diferença
De impulsionar as barbatanas
Sabendo
Que poderíamos escapar
Mas que jamais o quereremos fazer sozinhos
*
Nos dias roubados às noites de insónia,
As coisas sésseis,
Que não mexem,
Nem deixam de mexer
- coisas sonhadas, de motilidade hipotética –
Impulsionam-nos mais e mais,
A nós,
Breves peixes de escama caduca
De olhos reclusos num infinito
Pré-determinado por um sonho
Que sabemos construido
Sobre cada uma
Das nossas escamas
Maria João Brito de Sousa – 31.03.2011 – 09.53h

Belo Poema...verdadeiro e profundo!
ResponderEliminar"Nós e as nossas escamas.."
Muitos pensam que as não tem!
Beijos e amizade.
ChicaIlheu
Olá, minha querida Chica! Descobriste esta analogia que fiz entre os poetas e os peixes... também há, no poema, alguma coisa de árvore...
EliminarComo estás, amiga? Eu piorei bastante porque ontem fez imenso frio e a minha infecção respiratória não parece nada decidida a deixar-me em paz... enfim, vou ter de tomar mais antibiótico e esperar que o organismo comece a reagir.
Beijinho!