METÁFORA DAS LÁGRIMAS QUE NUNCA CHORAREI


LÁGRIMAS QUE NUNCA CHORAREI


*


Vejo-as


Nitidamente recortadas


No aço frio da silhueta matinal


*


Trazem


A pureza anímica das aves


Ao momento em que caem


e


pousam


Suavemente


Na tensão superficial


Das águas do meu imaginário


*


Não sei quantas são


Mas são


E basta-me a certeza de as ver


Não sei quantas,


Não sei porquê,


Nem sei exactamente quando,


Na mais lenta queda


Que os olhos me puderem recriar


*


Depois deixo de as ver


E o lago,


Desinventado,


Funde-se nas lágrimas que nunca chorarei


*


 


Maria João Brito de Sousa – 01.02.2011 – 18.45h


 


 


IMAGEM - Tela de Vincent Van Gogh - retirado da internet

Comentários

  1. Respostas
    1. :) Obrigada, Averse! A imagem que escolhi para ele é que é uma verdadeira maravilha!

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    2. sem duvida!, mas este poema é muito bom.

      ps.: entenda-se por muito bom aquilo que eu leio e adoro, temos que levar em linha de conta que sou mesmo leigo na matéria :D

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    3. :)) Não faz mal, Averse! Também gosto muito de apreciar aquelas coisas em que sou leiga de todo! Acabo de visitar um link sobre um grande compositor e acordeonista argentino que eu desconhecia de todo e uma amiga me disponibilizou porque eu o confessei sem pudores... também é muito importante "sentir" as coisas. Quando eu comecei esta "avalanche" de sonetos clássicos - refiro-me ao Poetaporkedeusker, claro - pouco mais sabia sobre soneto do que aquilo que toda a gente jovem da década de sessenta aprendia no liceu... claro que tinha aquela enorme vantagem de ter crescido ao lado de um grande poeta, mas o meu avô nem era um grande amante do soneto clássico... que grande discurso! :))
      Abraço!

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    4. penso que é um pouco isso, gostamos muito daquelas coisas que nos fazem sentir.
      E agora até já posso dizer que sei (mais ou menos) o que é um soneto clássico :D :D
      Abraço

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    5. :))! É mais complicado do que parece e menos do que o concebemos quando sabemos as regras exactas... como hei-de explicar... é como a Coca Cola! :)) Primeiro estranha-se e depois entranha-se!:))
      Pelo menos, em mim, entranhou-se de tal maneira que acho que já faz parte de mim... a maior parte de mim, muito provavelmente ;)
      Abraço!

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  2. Uma renovação de cinco estrelas.
    As linhas do Metro são um achado.
    Contra ventos e marés em grande forma.
    Invejo essa coragem e determinação.
    Um grande abraço.

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    1. Muito obrigada meu amigo! Estive na sua página do Facebook e deixei-lhe uma mensagem. Este é o blog que destino `a poesia não rimada, mas agradeço de qualquer forma! :) O dos sonetos ainda está muito, muito longe de estar revisto... nem sei se terei força e coragem para isso... teimosia, vou tendo... no outro, só vou em Fevereiro de 2008 e há três dias que não consigo fazer revisão de jeito... mas vou fazendo!
      Muitíssimo obrigada pelo seu abraço de ânimo! Outro para si!

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