SEM TÍTULO


 


Bebeu da fonte de outro medo


Esse menino


Que uma outra mãe


Pariu e embalou


Na teia azul


(metálico segredo)


*


Vive por um fio,


Por um fio mataria;


*


Toque-se o fio,


Vislumbre-se o segredo


E a teia azul transmuta-se em casulo


*


 


Assustado, confuso,


Cronos passa por ele sem o notar,


Tagarelam os anjos noutro altar


E nem o inimigo o apontaria a dedo


*


 


Bebeu, colado à teia,


Bebeu do fio


Da fonte de outro medo


*


 


Maria joão Brito de Sousa - 1999

Comentários

  1. Olá Jo, estes seus poemas lavam-me a alma. Leio uma vez e outra e outra...
    Beijinho grande

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    Respostas
    1. Obrigada, Fá.
      Eu hoje devo avisar que teria receio de conversar comigo mesma... acho que estou para aqui a rosnar... enfim, nada a ver consigo, mas hoje está mau. Pior do que mau. Hoje, por aqui, há tempestade, erupção, catástrofe, tsunami... meteoro!
      E por aí, como vai tudo?
      Abraço grande!

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