O POEMA


Deste quase desespero,


Muito além do que eu comando


Num momento indescritível,


Nasce um verso que não espero,


Nunca sei como, nem quando,


De um parto quase impossível…





Mas surge e ninguém o trava,


Nem força alguma o impede


De dar voz à voz que tem!


Tudo oferece, mas gostava,


Que o pedisse quem não pede


Por nunca avisar que vem…





Com força avassaladora


Dá-me mais que o que promete


No segundo em que nascer


Mas, a seguir, vai-se embora


Tão veloz quanto um foguete


Que acabou de se acender…




É do mundo, e nunca o foi,


Sabe tudo, e nada sabe;


É sempre paradoxal!


Quantas vezes me não dói


E, muito embora se apague,


Queima-me e não me faz mal…





Ninguém lhe aponta uma estrada


Ou lhe propõe um caminho


A que queira dar ouvidos!


Sabe que a hora é chegada


E faz-se à vida sozinho,


Mesmo entre irmãos já nascidos…





Cabe em mim, mas dele me sobra


Mais do que em mim vai cabendo,


Embora o Tempo acrescente


Cada instante que ele me cobra,


Pois, quando o estiverem lendo,


Florirá como a semente!


 


 


 





Maria João Brito de Sousa – 19.01.2011 – 22.49h

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