(SOBRE)VIVENTES

 



 





Nunca as conheceram,
Às flores de água estagnada
Nas pedrinhas
De um passeio imprevisto
Ainda à vossa espera?

No tempo em que os poetas
Eram feitos de papel
E os anjos se vestiam de farrapos
Mais ou menos coloridos,
Havia poças de água
Na fúria de uma sobrevivência
Tão menos visível quanto fascinante

Cresci a olhá-las
Para além da sua visibilidade,
Aprendi a sondá-las
E a reconhecer-lhes uma vontade
Que sempre ultrapassará
A minha,
A vossa,
A do próprio amor…

Nesse tempo
Do papel,
Dos farrapos,
Dos poemas curtinhos
E das tranças com laços,
Fundiam-se perfeitamente

Elas,
As flores de águas paradas
E eles,
Os meus olhos libertos como dantes


 





Maria João Brito de Sousa – 07.12.2010 -19.17h






 


Imagem retirada da internet


 


 


 

Comentários

  1. A POETISA, SEMPRE EM BUSCA DE DE UM POÇO DE ÁGUAS MANSAS ONDE AS FLORES GERMINAM E AVIDA NASCE COMO QUE DO NADA. TAL COMO OS TEUS POEMAS QUE SE SOLTAM NUM BIG-BANG UNIVERSAL SEM EXPLICAÇÃO.
    BEIJINHO POETISA!!!!!!!!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. :) Olá, João! Olha que é mais ou menos isso, é... parece um Big-bang! Mas desta vez só trago um sonetilho... a minha "parte de fora" está completamente "nas lonas" :)) e eu vejo-me aflita até para vir ao CJO...
      Abraço grande!

      Eliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares