PORTO POSSÍVEL


 


Sou porto incerto,


Apelo que subverte e que redime


O que em vós dorme agora e que é sublime,


Tudo o que esteja longe


De estar perto


 


Sou a vontade,


Sou aquilo que resta aos vossos sonhos


Quando os dias parecem tão medonhos


Que só podeis sonhar


Com liberdade


 


 


Recuso tudo


A não ser a certeza da recusa,


Subverto mesmo a cor da vossa musa,


Transformo até o som do vosso canto


Num grito mudo


 


 


Sou como a fome


Que em crescendo vos torna insatisfeitos,


A voz que vos sussurra os mil direitos


Que mais tarde imporeis


A quem vos dome


 


 


Eu, intangível,


Liberto das vogais, das consoantes,


Primitivo, indomável como dantes,


Sou sede que se nega e depois grita:


 


-Eu sou possível!


 


 


 


 


 


 


Maria João Brito de Sousa – 14.11.2010 – 20.13h

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