CHÃO DE MIM


 


Toco este chão


Com olhos de quem beija


E sei que não embarcarei


Mais vez nenhuma





Chão de mim


Em mutação constante


Que outra força


De mim te afastaria?





Constantemente o toco


Com mãos ocas de um nada


Que despejo


E depois recolho


Cheias de um tanto


Que só eu desvendo





Por isso sei


Que não embarcarei


Enquanto as mãos


Puderem sentir


E pressentir


O chão que me deu vida


 


 





Maria João Brito de Sousa

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