A CONQUISTA DA FLOR PELA SEMENTE
Lá longe
Ecoa, indómito,
O meu grito,
Fonética estelar
Que eu dignifico
Num jogo universal que não domino
Eu desafio,
Mais do que o razoável
E seguro
Nas letras a que já perdi a conta
Das mil canções que crio e nem procuro
Tudo isto eu devo
E nada mais me move
Ou me norteia
Senão a mesma força que promove
A devoção lunar de uma alcateia
E, sobretudo,
Sou,
Como os demais,
Palco e passagem
Dos mil ilusionismos geniais
De uma vontade só, que é divergente,
Qual átomo lançado na voragem
Da conquista da flor pela semente!
Maria João Brito de Sousa
Ao lobo que mora em cada um de nós
Maria João Brito de Sousa – 14.11.2010 – 18.19h

E o que dizer? Que adoro estes seus poemas soltos, que escreve quase ao sabor da pena. Simplesmente...lindo.
ResponderEliminarBeijinhos
Ah, Fá... este poema "tomou conta de mim"! Acho que nem respirei enquanto o escrevia :)) Felizmente a maioria dos sonetos vêm mais serenamente, não me arrebatam assim tanto! Este foi um daqueles que me encheram a alma toda inteira e me deixaram, durante umas horinhas, incapaz de dizer coisa com coisa... foi um daqueles dias em que me esqueci das horas e, até, do que queria fazer depois :))
EliminarComo vai a criançada? Eu dou um pulinho até lá! Bjo e obrigada!
Eu, como já lhe disse, adoro os seus sonetos. Sempre, ou quase sempre carregados de "sentir".
EliminarMas estes poemas Jo, arrebatam-me. Este então, está soberbo.
Beijinhos
:) Olá, Fá! Só consegui chegar agora... estou "empanada" que nem um carro velho e sem gasolina :)) por muito que me esforce, não dá para andar mais depressa. É frustrante!
EliminarEstes dois últimos poemas do Liberdades, também me arrebataram a mim, antes, durante e até algum tempo depois de os escrever. Acho que podia ter caído a casa que eu nem dava por isso! :)) Felizmente nem todos são assim tão... tão "fortes", senão quer-me parecer que acabava por morrer de fome e sede sem dar por nada :)) Quando pintava, acontecia-me quase sempre isso. Cheguei a meter à boca - e bebi! - o copinho da terebentina, a pensar que era um copo de água:))) Não têm conta as vezes que dei comigo a "fumar" os pincéis, convencida de que eram cigarros... ainda bem que é só às vezes porque esta força toda não é lá muito compatível com a sobrevivência física :))
Um enorme abraço e, pelo menos, que este discurso maluco - mas verdadeiro! - tenha servido para a fazer rir um bocadinho!