OS VERSOS IMPROVÁVEIS


 


 


Hoje, alquebrada,


Parti perdidamente à descoberta


De um sonho por sonhar


Noutro universo;


 


 


Eram duas ou três aves sem rumo


Na margem da cidade por esculpir,


Duas ou três colinas seminuas,


Duas ou três vontades mal esboçadas


E um canto muito ao longe


A pedir vozes


 


 


Eram duas ou três cordas de estopa


Nos braços da figueira urgente e tosca,


Duas ou três mentiras renegadas,


Duas ou três mil nuvens por chover


E a jangada a afundar-se


Sem memórias


 


Derrotada


Aonde perfeitamente me inventei


Tentei reformular-me


No dealbar dos versos improváveis


 


 


 


 


Maria João Brito de Sousa


 

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