DIZ QUE DISSE


 


 


Alguma vez vós me ouvistes


Apoucar vosso trabalho


Mesmo com boas razões?


Deveríeis ficar tristes


Por apoucar o que eu valho,


Vós que, afinal, sois calões!





Este velho diz-que-disse


É um dos piores defeitos


Desta nossa humana raça,


Logo a seguir à crendice,


Ao massacre dos “eleitos”


E ao cultivo da desgraça…





Este ir e vir do café


Está-me a mudar o cariz


De cada um dos poemas


E bem pode ser que, até,


Me torne menos feliz


Ou me arranje alguns problemas…





O melhor é decidir-me


A ficar fechada em casa!


É que sou muito sensível


E acabo por sentir-me


Pior do que um bule sem asa!


[o diz-que-disse é ter-rí-vel!!!]


 


 


 





Maria João Brito de Sousa – 04.09.2010 – 15.27h

Comentários

  1. OI Amiguinha. Tu Estás mais fina que o vinho velho do porto. Mas que poema mais pertinente e belo, com cada letrinha no lugar serto. Assim é que é crescer na poesia. adorei e vou leva-lo, para por nun dos meus blogs. Se não te importrares claro. É belo de mais para ficar só por aqui.Parabéns e um forte abraço deste amigo Eduardo.

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    1. Olá, Eduardo! :) Que alegria ver-te novamente por aqui! Então já conseguiste recuperar os blogs? Bem, tu vieste ter a um daqueles poemas em que eu estou francamente "zangada" :)) Já não me lembro exactamente o que se teria passado, mas não há dúvida de que isto só pode ter nascido de uma arrelia com alguma "mexeriquice" :))
      Mas o importante é que tenhas gostado destas sextilhas! Trago mais um destes poemas em sextilha, mas o de hoje é mais triste...
      Abraço grande!

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