CADA POEMA
Cada poema
Tem asas de papel nascendo incertas
Como velas rumando à descoberta
Da Ilha de S. Nunca da partida
Quando ressurge,
Muito embora vencido é temerário
Como a luta tenaz de cada operário
Que aspira à igualdade prometida
Onde um termina,
Começa um outro verso inevitável,
Cada um deles gerando um infindável
Rosário das memórias de uma vida…
Cada poema
Tem alma de mulher, corpo de chama
De aonde irrompe a voz que então proclama
O culminar da luz na pele rendida
Cada poema
É raiva, urgência, amor,
Silêncio, grito e voz da mesma dor
Numa explosão domada ou incontida
Cada poema
É mais do que uma inércia, é um transporte,
É eixo, é a matriz deste suporte
Das minhas transgressões de fera ferida
Cada poema
Tem sempre a dimensão de um corpo estranho,
Imensurável, pois não tem tamanho,
Porta-voz da vontade indesmentida
Quando ressurge,
Muito embora vencido é temerário
Como a luta tenaz de cada operário
Que aspira à igualdade prometida
Onde um termina,
Começa um novo verso inevitável,
Cada um deles gerando um infindável
Rosário das memórias de uma vida…
Maria João Brito de Sousa – 16.09.2010 – 14.38h

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