ABSOLVIÇÃO


 


Eu só te absolvo


Se a tua alma deixar, se arrependida


Chorar ajoelhada e decidida


A resolver o que eu já não resolvo.





Eu nada peço


Senão este luar de horas de espanto


Que me traga mais luz noutro recanto


Do que a do estranho encanto em que me teço.





Só te recordo


Quando alguém me falar dessoutro tempo


Em que leguei ao mundo o meu talento


Sem desfazer, mais tarde, o louco acordo





E parto,


Pois nunca mais ninguém irá obstar


A que venda os meus dias de luar


Por tão absurdo, inalcançável preço…


 


 


Maria João Brito de Sousa


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