EVIDENTEMENTE...


 


Bastar-nos-á entretê-lo


De quando em vez


Com um prato de lentilhas


E meia dúzia de palmas ensaiadas.





Será quanto baste


Pois é louco, o pobre…





Como poderia não o ser


Se foi sua a escolha de sobreviver


No limbo do humano conforto?





Por isso


Nos bastará entretê-lo


Na mansidão do seu imaginário


Antes que acorde…



Antes que rosne


E possamos descobrir


Que os pobres somos nós


E que o limbo


É esta dependência


Dos humanos recursos que nos movem


Enquanto regurgitamos


Certezas


E sentenças


Que, evidentemente,


Serão sempre as mais correctas





Evidentemente!


 





Maria João Brito de Sousa



 

Comentários

  1. Só a imagem na gaiola me impressionou e muito.

    Está presa e se estivesse fora da prisão? A matavam, ou se matava, mas me arrepia falar no assunto.
    Vem a fobia!

    Mª. Luísa

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    Respostas
    1. Não fiques impressionada, Maria Luísa. Esta é uma história muito recente e que acabou muito bem! O pombinho da gaiola, neste momento, já voa livre e feliz no campinho dos pinheiros grandes, junto à Igreja de Sto. António, a poucos metros do sítio onde agora estou. Esteve em minha casa, dentro da gaiola, porque estava mais morto do que vivo, depois de ter sido atacado por um cão. Mas só uma patinha ficou, realmente, inutilizada; este foi um felizardo pois conseguiu encontrar-me quando agonizava e eu tratei dele até ficar gordinho e completamente restabelecido. Eu dou muito valor a todos os tipos de vida, tal como tu. Este recebeu tratamento, água e alimentação até poder retonmar o uso das asas. Foi muito bonito e, embora me tivesse dado trabalho tratar dele, fiquei muitíssimo feliz quando me comecei a aperceber de que se iria salvar!
      Bjo!

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