DO MEU CHAPÉU DE PALHAÇO...


 


 


 


Desta vida de cansaço


Retiro, acima de tudo,


Do meu chapéu de palhaço,


As coisas com que me iludo...


 


 


Sou, portanto, ilusionista


E pertence-me o direito


De apontar na minha lista


O nome de cada eleito.


 


 


Alguns serão preteridos


(são os ossos deste ofício...)


Mas outros serão escolhidos


Desde que limpos de vício


 


 


E quando o “show” recomeça


Tudo me sai do boné;


Dou-me a mim, peça por peça,


Curvo a cerviz, digo: - “Olé!”


 


 


Nesta vida engendro um espaço


Pr`as coisas com que me iludo


E, num chapéu de palhaço,


Num nada cabe-me tudo...


 


 


 


Maria João Brito de Sousa - 15.07.2010 -14.41h


 


 


 


 


 


Maria João Brito de Sousa – 11.07.2010 – 13.31h


 


 


 


 


 


 


 


 


Imagem retirada da internet

Comentários

  1. olá Maria João ai, que maravilha esta chapéu de palhaço de onde saem verdadeiros prodigios. Lindo, adorei. Um beijinho com muito carinho.

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    1. Muito obrigada, Fátima! Foi um momento de muito boa disposição... e de alguma ironia, também.
      Eu, agora, comecei a datar os poemas e até a pôr a hora exacta a que me nasceram, a ver se me não esqueço deles... mas são muitos! Acabo por me esquecer, na mesma :)
      Abraço gde!

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  2. tiro o chapéu a estas quadras que em poucos e acutilantes versos, tudo dizem. Curiosamente acertei no dia e na hora, dopo tanto tempo silenciato. Che ópera prima!!!!da lontano, bacini.

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    1. Bacini per te, di lontano... perdoe-me, Peter, se assassinei o italiano, mas estou a gostar muito da musicalidade desta língua. E grazie!

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  3. Nesta vida sou Palhaço
    Mas ninguém me leva a sério
    Sem chapeu tudo o que Faço
    Sai-me tudo sem mistério

    Passo a vida às cambalhotas
    Na sorte que Deus me deu
    Com sapatos ou com botas
    Dou Saltos que chego ao cèu

    E não posso ser selectivo
    Sou Palhaço itenerante
    Neste meu percurso errante
    Não tenho lugar cativo

    Faço do meu palco a rua
    Com sol, chuva ou com vento
    Na escuridão ou com lua
    Sem hora, a qualquer momento

    Neste mundo de ilusões
    Nem a mim eu me convenço
    Quanto mais a multidões
    Deste mundo a que pertenço


    Gostei muito do que escreveu !
    Saudações cordiais
    J/severino

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    1. Mas está muitíssimo bom, este seu poema espontâneo! A mim, convenceu-me!
      Mais uma vez muito obrigada pelas suas palavras e por ter enriquecido este espaço com o seu poema!

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