A PASSAGEIRA CLANDESTINA


 


Na curva de cada esquina,


Por cada passo que dei;


Meu sorriso de menina


E as asas que dele herdei!





Passo a passo e dia a dia


Sonho, construo, desvendo


Os meandros da harmonia


A que, sorrindo, me prendo…





Dobro a curva, passo a esquina,


Torno à esquina que dobrei


Mal o dia se ilumina


Volto aos sonhos que sonhei!





Já vai longa a caminhada.


Tanta esquina… quantas mais


Caberão na curta estrada


Que vai de mim ao meu cais?





Fico na curva da esquina,


Contando os passos que dei,


Sorrindo como a menina


A que não retornarei…





As asas foram herdadas,


Mas, pelos passos que der,


Nascerão novas calçadas


Das pedras do meu “mester”!





Dou por mim junto da esquina,


A pensar se não serei


Passageira clandestina


Das asas com que voei…


 


 






Maria João Brito de Sousa  -  12.07.2010 – 18.37h


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