POEMAS DE PUNHO EM RISTE


 


Vem ler-me, amigo, não temas


Poemas de punho em riste!


Eu só te trago estes temas


Porque tu próprio os pediste…


 


Poemas são libertários


- está na sua natureza… -,


Pedem pão, querem salários,


Protestam contra a pobreza…


 


Por isso, amigo, não estranhes


Se também disso eu falar


Sabendo, embora, que ganhes


Muito mais do que eu ganhar…


 


Palavras, leva-as o vento


E eu pouco mais sei fazer,


Mas trabalho o meu talento


Nos versos que aqui escrever.


 


Decerto aceitas palavras…


Eu mais não tenho pr`a dar


E tu que constróis, que escavas,


Podes até protestar,


 


Podes pensar que não faço


Metade do que fizeste,


Mas, amigo, este meu braço


Já deu tanto quanto deste.


 


Não tenho nada a perder,


Portanto digo a verdade


E, em vez de repreender,


Vem ler-me à tua vontade!


 


Encontrarás, com certeza,


Palavras que sempre ouviste,


Mas, repara… que surpresa!


Trazem sempre um punho  em riste!


 


 


Maria João Brito de Sousa, 28.06.2010

Comentários

  1. Bem... estas quadras transportam-me para a minha infancia. Parecem um desafio de "jograis" que se faziam nas festas. Embora vazias de conteúdo e com muito menos qualidade, claro.
    Beijinhos

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    Respostas
    1. Olá, Fá! Estas nasceram-me por causa do momento político que se aproxima, penso eu... às vezes os poemas nascem-me nem eu sei explicar de quê, mas estes enquadram-se muito bem neste período de pré-campanha eleitoral e penso que, de alguma forma, foi este o resultado do momento histórico que estamos a viver. São as marcas da crise, no seu melhor :))
      Abraço grande!

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