NUMA CALÇADA SEM PEDRAS

Agora sei que, na estrada,


Choram pedras de calçada


Numa calçada sem pedras…


 


Lágrimas que assim vão escondendo


O sal do mar que em mim prendo


Em marés agora negras.


 


Agora sei e não esqueço


Que é assim que pago o preço


Da sede que me guiava


 


Da sede que em mim crescia


 Quando, ao sol do meio-dia,


Em pedras me transformava.


 


Que loucos, loucos anseios


Brotaram desses passeios,


Das pedras que percorri…


 


Pedras que a mim se prenderam,


As mesmas que me perderam


Quando as lancei sobre ti…


 


Agora sei que, na estrada,


Choram pedras de calçada


Numa calçada sem pedras.


 


 


 


Maria João Brito de Sousa


 


 


 


 


NOTA - A minha primeira letra para um fado

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