A INVENÇÃO DOS ÓCIOS

Os ócios,


Se os tivesse,


Pintá-los-ia do amarelo da manteiga


E derretê-los-ia,


Lentamente,


Entre a língua da caneta


E o palato do papel


 


Depois,


Se os tivesse, repito,


Trabalhá-los-ia à exaustão das horas


 


Não sei como,


Então,


Lhes chamaria,


Mas sei que o amarelo se decomporia


Numa remota hipótese de verde


Que não o do trevo 


E muito menos o da esperança.


 


 


Maria João Brito de Sousa - 18.05.2010

Comentários

  1. Ócios... Isso não é para nós. Apenas se fossem "pintados de amarelo manteiga e derretidos entre a lingua da caneta e o palato de papel".
    Lindo este poema.
    Ando a pôr a leitura em dia, depois de uns poucos dias afastada e encontrei por aqui, como sempre aliás, sonetos e poemas lindissimos.
    Beijinhos

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    Respostas
    1. Obrigada, Fá. Já vou espreitar o "cantinho da Bó Fá" para ver como vão esses dias dos pequenitos.
      Bjo!

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