NÃO VÁ SER TARDE...

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NÃO VÁ SER TARDE...


*


Queixo-me destas mãos


que se me colam


às folhas de papel


dos dias neutros


*


 


Quantos dias,


porém,


me serão neutros


se as folhas de papel


se me colarem às mãos?


*


 


Subo ao telhado


da nova contradição


vestindo as penas descoradas


de um segredo


e rio-me dos fios de prata que correm


nas caleiras de um medo que não conheço


*


 


Depois torno a queixar-me


das mãos neutras


coladas ao papel dos dias,


dou um salto


em forma de metáfora 


e


pouso suavemente


na superfície desta enchente de mim


*


 


Relembro as fábulas


que os deuses me contavam


no tempo em que o homem dominava a terra


e as cidades cresciam como cogumelos


*


Encosto-me então


à improvável solidão dos anjos


não vá,


de repente,


ser tarde demais para ressuscitar.


*


 


Mª João Brito de Sousa


26.04.2010


***

Comentários

  1. "Não vá ser tarde"

    Para um dia te encontrar e partilhar teus versos
    e juntar aos meus versos.


    Gostei de te encontrar, neste "Futurismo" de dizer
    e acrescentar o meu "Modernismo",
    onde me perco
    e me quero perder!


    Beijos,

    Maria Luísa

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    Respostas
    1. Obrigada, minha querida amiga!
      Acabo de te enviar uma maluqueira que me apareceu na caixa de correio e que não faz sentido nenhum! Ele há cada coisa mais estranha nesta blogosfera...
      Bjo!

      Eliminar

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