NOS DEDOS DO VENTO
Vêm duras e ásperas
Nos dedos do vento
Quando o vento se esquece de nos vir beijar.
Vêm desmentindo
A improbabilidade da violência
E renascem de encontros ficcionados
No vértice das almas.
Vêm pontualmente cruas,
Inevitavelmente rígidas,
Chicotear a saliva dos beijos adiados.
Mas vêm
E morrem de seguida
Onde a vontade derruba
A mais perfeita das sincronias.

Quem vem duro e áspero
ResponderEliminarpois o vento se esqueceu de o beijar?
Desmentem a violência
e retornam das almas
a que pertencem.
A doce tarde morre,
tão mansa ela esmorece
pois a vontade derruba
tão lentamente,
num céu de prece.
Inevitálmente descansam
de seus gestos de criança.
_ Vem noite mansa e descansa...
Mas vem pontualmente!
Adoro esta carruagem,
sinto-me bem
dentro dela...
Maria Luísa Adães
Que bom, amiga! Sabes, os comboios fazem parte da minha vida... fiz o liceu todo em Oeiras - Liceu Nacional de Oeiras - mesmo quando morava em Algés e, depois em Linda a Velha. Levantava-me muito, muito cedinho e lá vinha eu, sempre com o nariz de fora da janela do comboio, como se a paisagem mudasse todos os dias... e mudava! Todos os dias o cheiro da terra e do mar era ligeiramente diferente, todos os dias havia uma nova flor que, na véspera, não havia ainda desabrochado... todos os dias saboreava aquelas viagens entre Algés e Oeiras... e quando falo em "saborear" não estou a exagerar! Era exactamente isso o que eu fazia!
Eliminar:)
Abraço muito, muito grande!