FALA COMIGO DEPOIS DO ESQUECIMENTO

Quando as noites se encherem


Dos veludos da lua,


Fala-me então dos líquidos abismos…


 


Conta-me


Da sonoridade de todos os silêncios,


Das tonalidades da escuridão,


Do pressuposto precipício


Escavado no final de cada palavra.


 


Diz-me


Do cheiro vislumbrado nas asas dos anjos,


Do sabor dos ecos mais prolongados,


Do toque sedoso de uma abstracção…


 


Fala-me então


Mas deixa que me esqueça


Antes que as noites se encham dos veludo da lua


E os líquidos abismos


Derrubem o que resta da minha vontade. 


 

Comentários

  1. Não te conto da sonoridade
    de todos os silêncios
    não te vou contar!

    Mas te falo do perfume
    das asas dos Anjos,
    Isso falo!

    Só te falo
    do que me encanta
    e deixo de ouvir as vozes
    daquele tempo!

    não espero
    que as noites se encham
    dos veludos da lua
    e nos mostrem os abismos
    das realidade.

    Poema ardente,
    Como um soluço
    sem lágrimas!

    Maria Luísa Adães



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    Respostas
    1. Que bom! Que bom que tu entendes esta minha poesia mais liberta!
      Muito mais etérea em termos formais, muito mais aberta à liberdade das interpretações... mas sei que não é muito fácil encontrar quem goste dela...
      Abraço enorme!

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    2. Foi um hábito e uma idéia que as pessoas formaram.

      Esqueceram, ou não sabem mesmo, da tua forma versátil de escrever.
      Penso que não sabem!

      Mas é desta poesia que eu faço minha vida de poeta e não tenho sido esquecida (por enquanto, não fiar, os blogs são instáveis).

      Por essa razão, é necessário editar.
      Tenho um livro a editar com o nome "A Maré e a Bruma".
      Vai ter capa do artista Plástico Carlos Canhão (se Deus o permitir)
      que pintou os azulejos do "Forum Romeu Correia" em Almada.
      É um amigo meu e muitas vezes fui e vou dizer a minha poesia a
      convite dele, no "Museu da Cidade".
      A Net serve para escrever, mas esquece com muita facilidade.

      Esta é a minha opinião.

      Beijos e obrigada

      Mª. Luísa

      p.s. estou abalada com o Eduardo.
      Não vejo futuro nela! Tu vês???

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    3. Tens toda a razão, Maria Luísa... a blogosfera é muitíssimo instável, como a natureza humana... só Deus sabe se este blog virá ou não a ser aceite como o poetaporkedeusker acabou por ser. Eu farei conforme sinto que devo fazer. Sempre que me nascer poesia modernista, ou pós modernista, publico-a aqui e pronto. Também já me tinha passado pela cabeça publicar em livro esta poesia... mas ainda não posso mesmo. Posso até nunca poder :)), mas vou publicando em blog! Depois te responderei melhor por email. Estou com muito pouco tempo livre para trabalhar e hoje não vou, de certeza, conseguir jogar nem um joguinho de xadrez.
      Bjo GDE!

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