VIDA - Ab Initio III

Não era noite nem dia.


Nenhum pedaço de ser,


Nenhum átomo de vida,


Realmente conhecia


O que iria acontecer


Ao longo dessa avenida…


 


Nenhuma memória antiga,


Nenhum rasto de passado,


Nem um exemplo a seguir…


E, no entanto, a fadiga


Prometia ir lado a lado


Com o que ousasse prosseguir…


 


Não era dia nem noite.


Era um tempo indefinido


Num intervalo do espaço


E eis que irrompe, como açoite,


Um começar desmedido


Que se erguia como um braço…


 


Nenhuma antiga memória,


Nem sequer um pensamento


Fugaz, leve, passageiro…


Mas ela desponta em glória,


Sem qualquer constrangimento,


E povoa um mundo inteiro!


 


É então que nasce o Tempo


[talvez fosse em simultâneo


e eu não tenha reparado…]


Que dividiu o Momento,


Ou um qualquer sucedâneo,


Entre Futuro e Passado.


 


Mas se duvidais de mim,


Do que narro ou imagino,


Ide bem dentro de vós…


Cada início tem seu fim!


Seja imenso ou pequenino


Cada rio morre na foz…


 


 



 


 À minha amiga Madalena que partiu no dia de Natal.


 


 


 


 

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