DISMORFIA BUROCRÁTICA

Amorfos cidadãos articulados


Em desesperos subtis ou aparentes


Na assinalada divisão dos espaços.


 


Desarticulam-se, depois,


Na urgência da saída


Com travos de salvação,


Apenas e tão só por ser a fuga.


 


Multiplicam-se em dados e papéis,


Dividem-se em razões que nunca alcançam,


Desesperam de uma esperança


Que jamais teve fundamento.


 


Antes a não tivessem farejado


Naquele lugar de palimpsestos


Tecidos sobre a trama


De cadáveres de coisa nenhuma…


 

Comentários

  1. Lindo poema,

    na complexidade de quem ama

    de quem espera

    e desespera,

    por não saber esperar!

    beijos,

    Maria luísa

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    1. Confesso-te que é uma das coisas que mais aflição me faz, a burocracia, a sua lentidão e complexidade, as inevitáveis falhas nas articulações... enfim.
      Um grande abraço!

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  2. Merece muito mais, mas me parece que as pessoas se inclinam
    para o poetaporkdeusker por ser o mais conhecido.

    Eu tenho um blogs no google, um link para lá chegar no prosa-poetica
    e ninguém clica no link.
    Então, tenho meia dúzia de anónimos e dois conhecidos que lá vão
    comentar o pouco que escrevo.

    Com estes acontece o mesmo! As pessoas inclinam-se para um único
    e daí não saem!

    É a razão da falta de visitantes.

    Não é por ser melhor ou pior - vão em fila, onde todos vão. Vêm só a
    fila.
    Assim actuam as multidões!


    Maria luísa

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    1. Tens razão, deve ser isso mesmo... eu mesma não tenho visitado o teu blog da blogspot... bem, eu praticamente não tenho feito visitas. Já não consigo gerir tão bem o tempo, tudo parece andar mais lento... parece que sou rápida a teclar... vá lá... deve ser a única coisa em que sou rápida! De manhã levo sempre imenso tempo para tomar o duche e tratar dos oito animais... bem sei que os pombos exigem muito tempo pois as gaiolas têm de ser mudadas e limpas e um deles, a Pitinha, tem de comer no bico pois não consegue alimentar-se sozinha...
      Abraço grande!

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  3. Não me imagino a viver numa sociedade sem regras e papeis apesar de gostar, de vez em quando, de quebrar tudo e entrar na anarquia.
    O homem tanto burocratiza que às tantas transforma-se ele mesmo em papel ou digital!

    Seria bom que as sociedades modernas se voltassem para as origens!

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    1. É verdade, amigo! Eu tenho de reconhecer a necessidade das regras e até de alguma burocracia, mas tanto assim??? Para cúmulo da desgraça, tomo um medicamento que me obriga a estar sempre sujeita a ela... e, ainda por cima, sempre atenta. O medicamento tem imensas interacções arriscadas, até mesmo com os mais comuns produtos alimentares ou com coisas tão simples como as variações metabólicas normais no dia a dia do ser vivo. Desculpe, mas saiu-me este desabafo todo! Claro que eu poderia nem o tomar, mas ficaria totalmente responsável pela minha situação clínica, o que não é lá muito aliciante...
      Abraço!

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  4. Gosto mesmo muito destes poemas. São de teia mais complexa que os sonetos mas são muito belos.
    Tenho de me habituar a fazer a agulha também para este lado.
    Abraço GDE

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    1. :) Obrigada, Eva! Estes não nascem exactamente como os sonetos... por tudo e por nada! São mais demorados, só aparecem de vez em quando e em determinados estados de espírito que são agradáveis, na sua maioria, mas que ainda nem consegui definir muito bem. Terei muita honra em tê-la por cá!
      Abraço GDE!

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  5. Por mero acaso vim cá parar...
    Nem bilheteira nem coisa alguma foi logo pela porta....
    quanto á burocracia Portuguesa...
    Está de mal a pior, mesmo enervando com o nosso país funciona,
    Quando infelizmente tenho de tratar de algum assunto pego o meu mal em paciençia e entao fico a analizar os funcionarios publicos...
    Meu Deus que desgraça, Mal encarados, mal humurados e incompetentes...
    Tem regalias e vantagens pago pelos nossos impostos....
    e o zé povinho quando lá vai tem de falar baixinho senao leva um respanete que até fica atorduado....
    Depois o mais engraçado é quando recebes os documentos e contem erros....
    Resposta dos funcionarios " A senhora nao se exprimiu como deve de ser, agora tenho de recomeçar"
    Nao sou mesmo violenta, mas nesses casos é mesmo só á chapada....

    huffff que faz bem aliviar um pouco...
    bjs

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    1. :)) É isso mesmo, Alzira! Faz bem desabafar um pouco...
      Eu, tanto quanto me recordo, fiz exactamente isso neste poema! Desabafei! :)) Quando o li, passado algum tempo, achei-o um bocado agressivo... mas já estava! Nasceu debaixo do efeito de um momento e sempre foi melhor eu desabafar no poema do que arranjar uma briga com alguém... :))
      Abraço! Vou tentar visitar o teu blog, mas estes computadores, hoje, estão fartos de me pregar partidas... até eles têm manhas burocráticas! :))

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