RESQUÍCIOS

Invade, à noite, o palco dos sentidos


Uma memória turva e pendular.



Exumam-se palavras que sorriem


Na aridez de todos os passados


E silencia-se o sabor neutro


De um presente que desliza


Mais ou menos suavemente,


Conforme o sal do momento.


 


Cai o pano sobre as pálpebras do sonho


Assim que a lucidez exige o disparo das mãos.


Urbano, o Homem percorre as calçadas


De um tempo ainda insurrecto e mal adivinhado.


 


Como querias tu que eu te falasse


Dos passados que me foram subtraídos


Pela monotonia das horas previsíveis?


 

Comentários

  1. "Como querias tu que eu te falasse
    Dos passados que me foram subtraídos
    Pela monotonia das horas previsíveis?"


    E esses passados não seriam para subtraír?

    Não ficarias mais leve com esses passados subtraídos?

    Não serias outra? Eu penso que sim!

    Que bom poder subtraír , grande parte do Passado...

    ´Lindo poema.

    Maria Luísa

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    1. Obrigada, amiga. Estou atrasadíssima, como vês. Tenho uma infinitude de blogs para visitar e nem sei se vou conseguir...
      Abraço grande!

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  2. Resquícios


    É um poema muito belo!

    "Invade a noite, o palco dos sentidos"...

    Quanta beleza nessa forma de dizer!

    Parabéns Poeta amiga,

    Mª. Luísa

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    1. Obrigada, minha amiga e Poeta, Maria Luísa! Hoje estou num daqueles dias fisicamente difíceis de enfrentar... tive cãimbras tremendas durante a noite inteira e vi-me aflita para tomar o meu duche e tratar dos animais. Andava muito contente porque elas andavam menos persistentes e menos intensas, mas começaram ontem, ao fim da tarde, na mão esquerda e foi por aí fora, durante a noite e a manhã inteira... e o meu magnésio, nas últimas análises, até estava mais alto do que o habitual. Bem, de qualquer forma tenho a tal consulta de Gastro na 6ª feira e logo vejo se, desta vez, conseguem melhorar esta situação que já tem anos e é tão, tão dolorosa. Desculpa... cheguei à Paróquia e tu foste a minha "vítima" das queixas... foste a primeira a quem respondi. Dentro de minutos, chamam para o almoço e eu tenho a caixa de correio cheia de emails...
      Um grande abraço!

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    2. Sempre essas dores que não passam.

      Eu não sou a tua vitima! A pessoa (neste caso, tu) se queixar de seus males dolorosos
      é humano e eu gosto de atender quem sofre!
      E não gosto é de pessoas cheias de orgulho e convencidas de que são
      o máximo. Que triste ilusão!

      Mas tu tens bom senso, paciência e aceitação para o tormento dessa
      vida, mal entendida (me parece).

      Orgulha-te de ti e sê humilde no teu trato, para com os outros.

      A ira conduz sempre ao declinio!

      beijos minha amiga. Agora, eu entendo melhor a amizade. E não quero
      ser amiga, ao desbarato. Tento aprender com as grandes lições da vida
      cruel, mas lúcida.

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    3. Nós vamos sempre aprendendo com as lições da vida, por muito cruéis que possam ser. Por vezes deixam-nos de rastos, muitas vezes durante anos mas, quando sobrevivemos, somos sempre mais sensatos, mais tolerantes e pacientes. Podemos, até, passar por situações terríveis, quase inimagináveis, mas acabamos por voltar a nós, à nossa linha de coerência.
      Tenho de ir para o C. Paroquial agora, amiga. Volto depois.
      Abraço grande!

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    4. Sabes a que me refiro quando "falo na ira, na falta de humildade, no
      querer fingir que nada se passou, do não pedir desculpas".

      Com humildade tudo se resolvia, mas assim acabou!...

      E eu estou coerente, não fui eu que magoei - eu fui humilhada e
      magoada! E não sou uma pessoa qualquer!
      Que triste desvario!

      Beijos,

      Mª. Luísa

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    5. Entendo, amiga. Olha, estou no Centro Paroquial, os computadores do CJO estão, neste momento, todos ocupados e eu fui convidada para uma palestra que aqui terá lugar esta tarde.
      O meu RSI não veio e, se não vier até amanhã bem cedinho, não poderei ir ao hospital. Mesmo com a ajuda do Combus - o autocarro urbano que recentemente foi criado pela autarquia - os transportes saem muito caros e eu estou sem tostão. A vida, no seu dia a dia, nem sempre corre da forma mais favorável...
      Vou tentar enviar-te um email, se tiver tempo, antes da palestra.
      Abraço grande!

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