OUTRO POETA

Era o seu espólio de sonhos


Nas terras imaculadas,


Nos rios, nos mares, nos corais


Coloridos e risonhos


Como claras madrugadas


Que nascem tarde demais…


 


Era tudo o que sabia


E o que sonhava saber


Se acaso ousava sonhar,


Se o sonho se lhe tecia


Quase sem se aperceber


Que estava a fantasiar…


 


Primário, infantil ou louco,


Tudo se lhe apresentava


Como barro a ser moldado.


Nunca avançou esse pouco


No muito que o afastava


De ser, enfim, enquadrado.


 


Cresceu firme e solitário


E assim foi envelhecendo,


Sem sentir medo da morte…


P`ra além do imaginário,


P`ra além do que eu mesma entendo,


Muito além da própria sorte…


 


 

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