O CORVO SEM NINHO


 


Negro, negro,


Urbano entre ciprestes,


Derrama um chamamento imperativo


O corvo que hoje vi na capelinha.


 


Só. Tão só, o negro corvo


E eu tão recheada de ninhos, de caruma...


 


Ali se desenhava em contraluz,


Negro e magnífico,


Sem rasto de ninho,


Vestígios de raiz,


Ali, onde eu acabara de lançá-las


No solo em que me reinvento a cada meio-dia...








Maria João Brito de Sousa

Comentários

  1. Que dizer? Cada um mais lindo que o outro, és maravilhosa.

    Beijinho, fica bem
    natalia

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    1. Amiga, eu ainda me sinto diminuída no que diz respeito à poesia de rima livre, neste caso sem qualquer tipo de rima. Só nos sonetos é que já vou sentindo maior fluência e produtividade. A prosa também ainda não flui como antigamente, mas tudo vai melhorando devagarinho, excepto a minha casa que parece a feira da ladra e ainda nem consegui arrumar desde que tive esta última crise. Já lá vão meses e ainda estou enferrujada... paciência! Pode ser que também melhore a esse nível...
      Abraço grande, grande!

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