ÀS VEZES É ASSIM MESMO...


 


Sou talvez bicho-do-mato...


De passar por tanto espinho,


Tanta montanha galgar,


Reduzi-me ao meu recato,


Solitária entre os sozinhos


Que jamais irão voltar...


 


Mas por estranho que pareça


Sinto ser bem mais feliz


Do que os mais que me rodeiam...


Talvez sozinha eu me esqueça


Das mil coisas que não fiz


E de uns tantos que me odeiam...


 


Desconforto e solidão?


Desconforto talvez sim


Mas, solidão? Nada disso!


Não falta amor nem canção


Nest`alma que habita em mim...


O resto? "Levou sumiço"!


 


Se só assim eu sei ser,


Se, de ter tão poucochinho,


Alguém de mim tiver dó...


O melhor será esquecer!


Eu escolhi este caminho


Por gostar de viver só!


 


 


Imagem de Íbis Eremita - retirada da internet


 

Comentários

  1. Olá Maria

    Que aconteceu?
    Não a vejo assim!
    Mas sentia-me desta forma. Hoje... Nao mais!

    Abraço.

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    1. Às vezes é assim mesmo que me sinto, amiga. Estou agora a chegar e ainda nem tive tempo de ir ao correio, mas sempre quero ver como foi que o Sapito engoliu o teu nome dos meus amigos!
      Sou um bocadinho bicho-do-mato, sou... adoro estar convosco, interagir, oferecer-vos poemas. Adoro aquele pedacinho do dia em que estou com a D. Isa e a D. Fernanda no cafezinho... mas necessito, acima de tudo, de um bom espaço de tempo para a solidão e para viajar ao fundo de mim. Ninguém parece ser, sequer, parecido comigo, das pessoas com quem lido no dia-a-dia... mas também não lido com pessoas que tenham dificuldades materiais tão extremas quanto as minhas... mas eu já era muito solitária em pequenina, sabes? Quem me deixasse produzir a partir de papéis, lápis, canetas e pincéis, dava-me o céu! Quem me desse livros para ler, dava-me o paraíso... mas se calhar vai aparecer um pouco exagerado aqui na blogosfera. Não sou, de forma nenhuma, a-social! Só preciso é de muito tempo de solidão, da boa solidão, da solidão que produz... não da que desespera, da que nos faz sentir miseráveis.
      Desculpa. Gosto muito de poder ajudar os outros. Sinto-me incapaz de não ajudar um animal ferido... enfim, sou humana, como todos nós. :)
      Abraço grande.

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  2. Mainada!!!!
    Mas sinto que está assim a modos que arreliada. A sério, há coisas e pessoas que não valem isso.
    Beijinhos

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    1. :)) Um bocadinho, Fá. Estava a verificar que só os meus animais conseguem ser felizes em minha casa...
      eles não se importam nada de me ver agarrada aos caderninhos, aos lápis e aos papéis... mas a situação está mazinha do ponto de vista da sustentabilidade. Muito má, mesmo, e com uma curtíssima dead-line. Reagi assim...
      Abraço grande!

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  3. Muito belo este poema!

    Um dia regressaremos à terra como pó, porque não fazer a apologia de bicho do mato no meio de ta gente?
    A solidão é tão necessária como o silêncio o é para a palavra.
    Na solidão surge a mística do silêncio. Sem ela a criatividade não é possível.
    Gostei!

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    1. Obrigada, Ermelinda. Eu entendo exactamente assim,
      embora muitos possam não o entender. Mas não sou "constantemente" bicho do mato! Tenho os meus momentos de convívio diário, mas depois deles... então sim, surge o silêncio, a mística, a criatividade...
      Um abraço e seja muito bem-vinda!

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