TOO SOON/TOO LATE...
Ela não sabia
Nem viria a saber
Por que razão o acaso de viver
Parecia pedir-lhe, a cada segundo,
Que tomasse para si
As culpas este mundo
E o esquecimento
De outra razão de ser.
Ela não perdia.
Aceitava e fazia
Tudo o que este mundo lhe dizia
E, mesmo sabendo, não pedia
O que os outros pediam sem saber.
Ela não cantava.
Apenas ouvia
E transformava a dor de cada dia
No tal pão que haveria de comer.
Se, ao menos,
Um Poeta-Encantado
Pudesse tocá-la,
Talvez a morte não viesse buscá-la
Tanto tempo antes do tempo
De morrer...
O casulo que tecera à sua volta
Era tecido da mesma revolta
Que sempre a impedira de viver...
Dentro do casulo,
Pensando ser ela,
Era apenas a porta ou a janela
Aberta à dor de quem visse sofrer...
Foi nessa condição
Que a Morte a encontrou
No mesmo dia em que ela procurou
Abrir janelas, portas ou saídas
Que lhe pudessem mostrar essa vida
Que havia em si e sempre se negou...
1994
Imagem retirada da internet

OLÁ AMIGA JOÃO. Parabéns por esta prosa poética, com que nos presenteaste. É fantástica e está escrita com um sentir maravilhoso. Adorei e adicionei. Abraço Eduardo.
ResponderEliminarObrigada amigo! Acreditas que, ontem,acabei por não ver a entrevista com o António Damásio? Desde ontem que só faço disparates...
EliminarAbraço grande!
Não te aborreças com isso minha amiga, o Damásio provavelmente também não leu o teu lindo poema. Abraço. Eduardo.
EliminarEheheh... essa é boa! Eu também não o andei a anunciar na RTP duante a semana inteira...
EliminarAbraço grande!
Olá amiga João. Estive a pensar e lembrei-me, tu tens razão, será o ciúme a falar mais alto? Olha que eu não sei não. Estou a brincar amiga. Desejo-te um bom fim de semana. Um Abraço Eduardo.
EliminarUm bom fim de semana também para ti, amigo! Vou tentar publicar ainda hoje o teu miminho!
EliminarAbraço grande!