A ÚLTIMA ESTRELA
Um anjo, de negro,
Recolhia do céu
As últimas estrelas da noite
Para que o sol
Nascesse quente e glorioso.
Uma mulher, de branco,
Recolhia, de uma qualquer janela,
O direito de fazer permanecer a noite.
O Anjo olhou a Mulher
[pequena estrela baça
teimando em ser estrela
para além da noite]
E, se os anjos são anjos,
São homens com asas
E sofrem das mesmas contradições...
O homem com asas
Não fez por maldade...
Fez por tradição,
Não se rouba ao sol
A glória do brilho!
Não se guarda a noite
Por trás da janela!
[e até ente os anjos
impera o conceito
de preconceito...]
Tocou-lhe, ao de leve,
Tão de levezinho
Que mal lhe tocou
E a mulher caiu...
Caiu, mas subiu
No segundo exacto,
No momento certo
De alcançar no alto
A Última Estrela...
1994 - In Memoriam

Amiga João. O queres que eu diga? estás magnífica, cada vez bebes mais e melhor na fonte da inspiração, poética. Querida amiga, é isso mesmo, parabéns estás magnífica. Abraço Eduardo.
ResponderEliminarObrigada, amigo. Já tem uns bons quinze anos, este poema. Ando a descobri-los por aí, espalhaditos... mas fico muito contente quando os descubro porque a cada nova leitura descubro coisas em que nem eu mesma tinha reparado... por vezes coisas que só vieram a acontecer depois da data em que foram feitos ou linhas de continuidade que têm e sempre tiveram a ver com o que sou.
EliminarAbraço grande.
Olá amiga. João. Não importa como aparecem, importa sim é que vão aparecendo. E que são cada um mais bonito que o anterior. Um abraço grande amiga. Eduardo.
EliminarTens razão. De alguma forma eu sinto que é bom que eles apareçam assim, "casualmente". É como se tivesse mesmo de ser assim...
EliminarE a partir de Terça-feira, eu vou partir o armário todo. Aí vais ter muitos mais, segundo a tua versão dos factos. Abraço Eduardo.
EliminarAi! Não partas, amigo! Era do meu avô, é uma estante com portas de vidro que me viu nascer... se fosse outro qualquer já o tinha partido eu mesma! Mas eu sou meia maluca, fico apaixonada pelos móveis que cresceram comigo... bem, eu cresci, pelo menos... lembro-me dele ainda eu andava ao colo. Parecia muito grande, nessa altura... agora está velhinha e ainda mais empenada do que eu, mas eu continuo a gostar muito dela...
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