A METADE DE TI

 


Olha!


Reconheces-me ainda


Na maçã de todas as noites de desejo?


Reconheces-me agora


No nardo puro que derramei no teu cansaço?


Reconhecer-me-ás depois


Quando o teu filho te souber olhar nos olhos?


 


Olha!


Repara que continuo serena e imutável.


Repara como oscilo entre a verticalidade


Da minha fé e a horizontal do teu desassossego…


Repara em mim!


Repara em mim que sempre estive à tua espera


No desconforto do parto, na saudade da partida,


Na urgência dos sentidos e na solidão da viuvez…


 


Repara!


Nos sulcos que as lágrimas me lavraram na face,


No ventre sempre em flor que te dei na Primavera,


No seio que te ofereci quando menino e homem,


Nas mãos que, dia a dia, te amassaram o pão…


 


Repara,


Repara em mim! Filha, companheira, irmã e mãe…


Eu sou essa metade de ti que não conheces!


 

Comentários

  1. Olá amiga João. Mais um lindo poema. Eu não sei como consegues ter cabeça e inspiração, com todos os problemas que te atormentam, já para não falar no trivial diário. És uma guerreira, feita Maria da fonte, ou qual padeira de Aljubarrota. Admiro a tua força. Um grande abraço Eduardo.

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    1. Acredita que, neste momento, não tenho mesmo força nenhuma.
      Abraço.

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    2. Olá amiga João. Eu acredito e admiro-te muito pala tua coragem e ousadia, eu penso que se estivesse no teu lugar não faria tanto e nem tão bem como tu fazes, eu sei dar-te o valor, porque afinal eu já sou crescidinho para saber o que a vida custa. Tu és uma Autentica Padeira de Aljubarrota, no bom sentido claro. Um abraço e tudo de bom para ti que mereces. Eduardo.

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