II

DE ZERO A ZÊ


Convém, sempre,


Que se saiba escrever de Zero a Zê.


Não escrever, de todo,


É disfuncional


E, depois de Zê,


É só para os metafísicos e economistas.


 


Há poetas


Que se aventuram


A escrever para além de Zê


(e, pontualmente, antes de Zero).


Não têm vidas fáceis


Embora sejam os melhores.


 


Poeta que escreva


Antes de Zero e depois de Zê


Arrisca-se a só ter público depois de morto.


(Como os melhores)


 


Todas as coisas palpáveis


Se escrevem


 


 Entre Zero e Zê


 


 


Antes e depois da escala


Ficam apenas os impossíveis,


Os invisíveis e os que estão por vir.


 


Na escala cabe o conveniente


E umas pitadas de inconveniência


Que são muito úteis a quem se imagina livre


E a quem proclama liberdades imediatas.


 


 


A estupidez acaba em Zê


Conforme acab0 de demon(Z)trar.


 


 


Maria João Brito de Sousa - Fevereiro, 2009


 


 


 


  

Comentários

  1. Olha Amiga. A minha alma está parva. Tu te lembras de uma novela Brasileira, talvez das primeiras, não sei se o Casarão ou outra qualquer, em que o já desaparecido Paulo Autrã, fazia o papel de um pintor que vivia na miséria, porque ninguém comprava os seus quadros? Porque eram considerados sem valor comercial? E lembras-te que ele sabendo quanto valia, se fez de morto para se dar conta do quanto os seus quadros, eram valorizados? E o que aconteceu foi que ele na hora de ser sepultado começou aos murros na urna até que conseguiu sair e ver que quase havia uma guerra porque toda a gente de dinheiro queriam as telas dele? Olha amiga este teu lindo e belo post. Que mais não é do que uma análise, fez-me lembrar essa situação na dita novela. Parabéns está um espectáculo. Abraço Eduardo

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    Respostas
    1. Pois, amigo. Eu até já tenho pena de não ser muito de ver telenovelas... eu não vi, mas na altura também me andava a debater com uma situação familiar muitíssimo complexa... o pouco tempo que tinha livre era toda para ler e melhorar os meus conhecimentos que estavam a ficar muito "enferrujados" pelas dificuldades do dia a dia e pelas inúmeras deslocações ao hospital...
      Abraço grande.

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