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QUATRO SONETILHOS A CATARINA EUFÉMIA

Linogravura de José Dias Coelho I * A ceifeira, nos trigais, Traz nas mãos sonhos negados E os dedos bem calejados De quem já ceifou demais * Flancos doendo, agachados, Entre mil gestos iguais Evoca uns pontos errados Destas questões laborais * Essa ceifeira não chora, Mas começa a acreditar Que pode bem estar na hora * De que quem assim a explora Também se deva agachar Tal como ela o faz agora *   II * Já não sonha, as dores são tantas Que só pode trabalhar Se as abafa nas mil mantas Que inventa pr`ás disfarçar * Faltam horas, umas quantas, Prá ordem de despegar E as ceifeiras, como as plantas, Podem, às tantas, murchar… * Vai longa a jorna, ceifeira! Já esgotada da labuta, Tão no auge da canseira * Depois de uma tarde inteira, Pensa enfim: - Antes a luta Que viver desta maneira! * III * Reúne os seus companheiros Da labuta dos trigais, Fala dos dias inteiros Sol a sol, sem poder mais * Lembra a escassez dos dinheiros, Diz que os patrões, sendo iguais, Os tratam como aos carneiros...

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