AQUILO QUE ESTÁ POR SENTIR

Rasgam-se poemas como se rasgam gritos.


Gritos de dor,


Gritos de fome de mundo,


Gritos suados, desgrenhados


Como os homens que acabaram de fazer amor.


 



 




Há quem os trace suavemente,




Com a brandura de brisas,


Com a leveza de carícias apenas esboçadas


E há quem os rasgue assim,


Com a crua rudeza de pedras atiradas.


 



 




No entanto




Os gritos rasgados


Só se distinguem dos gritos traçados


No momento em que param


Para dizer adeus


Àquilo que está por sentir.


 

Comentários

  1. Oi Maria

    Quantas vezes deixamos de gritar?
    E as vezes precisamos dar alguns gritos, até para nos sentir mais leve.


    Abraço.

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    1. É assim, amiga. Somos seres emotivos e, por vezes, gritamos mesmo... só que, muitas vezes, os nossos gritos não se ouvem facilmente. Por vezes são apenas sussurros, outras vezes pequenos gestos suaves.
      Bjo!

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  2. Entro na porta aberta
    De forma suave
    Não quero que me vejam,
    Não quero!

    Quero estar neste recanto
    calmo e silencioso
    e meditar...

    Nesses poemas rasgados
    como fossem nada,
    como se nada significassem.

    E disseram tanto e tudo
    quanto havia a dizer.

    Pobres gritos
    que ninguém escutou
    com o barulho
    tremendo de trovoadas
    ao longe...

    A aproximar.


    Os gritos param
    Morrem
    E dizemos Adeus!

    Apenas o Adeus...

    Lindo!

    Maria Luísa

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    1. Obrigada, minha querida amiga. Acreditas que não consegui produzir rigorosamente nada durante todo o fim de semana? Estou mesmo num estado lastimável com esta sinusite que tem estado em tratamento desde 2ª feira passada e, de repente, resolveu "assanhar-se" e deixar-me "de gatas". E olha que estou com um belíssimo antibiótico - Amoxicilina com Ácido Clavulânico - que não está a dar resultado nenhum... deveria estar de cama, mas não podia deixar de vir até cá.
      Visito-te de tarde, se Deus quiser. Agora já nem tenho tempo porque está quase na hora do almoço.
      Bjo gde!

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  3. Maria João

    Onde te encontras? Como estás? Ainda não te encontrei no local
    costumeiro.
    Estavas doente e nada tornaste a dizer.

    O Eduardo escrevi, mas não respondeu.

    A Natalia já escrevo duas vezes e não responde.

    Sabes alguma coisa?

    Me fala de ti, também.

    Beijo,

    Mª. Luísa

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    1. Estou com uma tremenda sinusite e numa verdadeira crise de "desinspiração", amiga. Mas estou sempre pronta a vir até aos blogs. Não tenho escrito nada nestes últimos dias, ando a utilizar sonetos feitos há algum tempo e que ainda não tinham sido publicados no poetaporkedeusker. Já deixei um comentário no teu belíssimo poema.
      Quanto ao Eduardo, a Idalina disse-me que ele está benzinho, dentro do problema que tem, claro. É bem possível que ele não consiga vir aos blogs, sabes... exigem mais, em termos de escrita, do que uns meros cumprimentos noutros formatos.
      Mas eu hoje estou aqui e ali... :)) quando leres o comment do Prosa Poética, vais perceber!
      Bjo!

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